domingo, 25 de setembro de 2016

viajante,
já naufraguei em tantas almas,
oceanos turbulentos,
eu e meu barquinho à vela
naqueles mares estranhos
onde sempre me atirava
acreditando nos mapas, nas cartas náuticas do ser.
.
viajante,
já naufraguei em tantos outros,
acreditando que o amor me apontaria
as ilhas,
os portos seguros,
que os ventos seriam a brisa salgada
batendo-me no rosto nu, e
óh!, como foram tantas
as tempestades
.
viajantes,
tantos naufragaram
nesse mar de mim,
aturdidos pelas calmarias, as águas sem vento,
aturdidos pelos furacões, as águas em furor
selvagem,
mares de mim que eu desconhecia,
que dirá os pobres viajantes?
.
e eu aqui, sendo barco e oceano,
desejos de pôr-me ao largo
e receber o viajante
.
conhecer e ser conhecido,
enxergar e ser enxergado,
amar e ser amado,
.
navegar e ser navegado,
.
essa coisa rara, esse mistério,
do ser barco e de ser mar,
.
ah, vida!
.
como navegar
é preciso!
.
******
.
(eduardo ramos)


Nenhum comentário: