terça-feira, 4 de agosto de 2009

Violinos Mudos

Uma dança que vejo
Um bailar sem sentido...
Sem tons, arritmica, descompassada
Instrumentos?
Um tocar de violinos sem som...rima nem cordões...
Mudos ao amanhecer...ao escurecer
Ao meio do dia...
Não ouço mais a canção...o pulsar
Calam-se os sentidos...
Os ouvidos...os gritos...
Cerro os olhos e tudo ouço, vejo...tudo sinto
Volto ao dia...e tudo emudece
Uma voz calada anuncia a hora chegada...
Em procissão silenciosa chegam os algozes.
Um sistro rompe o silêncio
Em ritmo fúnebre a melodia
Começa-se o ritual
Saias retiradas, cabelos cortados...
Taças quebradas...
No espelho o último sorriso, antes do desfecho...
Olho no espelho e retiro dos cabelos a Violeta
Do meu peito a Lótus negra
Uma nova caixa foi construída e a mim oferecida
Nela deposito os pertences de Samira
Restos da cigana agora em exílio
Jogada ao mar que é o seu lugar
Fecho os olhos e volto ao ciclo
Me ponho a dançar sobre as cinzas dessas pétalas
A marcar mais uma página do livro.
Abro meu leque e chovo violeta,
Rodopio em nuvens destruidas...
Apago o sorriso antigo
Crio um novo sorrir...


HannaH Krys

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