Luiz Felipe Leprevost
pela manhã, do chão, recolhia fígado,
estômago, coração, vísceras de um corpo desprezado, como fossem apodrecidas
mimosas, nicotina e gordura, que novamente acoplasse nos devidos lugares para
ir viver o dia. durante a noite, em casa, cortinas cerradas, livrava-se do figurino
de cidadão – nó de vômito na garganta –, despia-se da carne, das frutas e
devolvia o esqueleto sequestrado ao armário.
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