quarta-feira, 10 de julho de 2013

Luiz Felipe Leprevost

pela manhã, do chão, recolhia fígado, estômago, coração, vísceras de um corpo desprezado, como fossem apodrecidas mimosas, nicotina e gordura, que novamente acoplasse nos devidos lugares para ir viver o dia. durante a noite, em casa, cortinas cerradas, livrava-se do figurino de cidadão – nó de vômito na garganta –, despia-se da carne, das frutas e devolvia o esqueleto sequestrado ao armário.

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