quarta-feira, 10 de julho de 2013

o que fazer com o fazer as coisas diferentes se não podemos nem para onde olhar? se não exercemos quando será positivo pôr as mãos no bolso ou depreciativo acariciar o gato? o que se não vivemos aonde ir senão às favas? confusão dos diabos é o Diabo. decepcionado, patina. patinando, afunda. agora mesmo seu rosto retorcido como se houvesse mascado limão. não saber mentir por muito tempo, a falsidade é a mais perfeita denúncia. banhos de fogo a lavar mais que água, mas o preço é alto. vez ou outra, queimamos as solas dos pés vasculhando bibliotecas de navios afundados, furamos as palmas das mãos com espetos, vazamos os olhos em tragédias gregas exemplares. mas... desespera, chora baixo, tranca-se no cubículo. e o dia fora não é exatamente fora nem bibelô azulado e limpo feito uma mentira. e a óbvia reflexão: não passo de um obsceno comedido. a nudez de encontro em mim corre, rio do Heráclito. e a cada dia vou mais feio a apodrecer. sons de alaúdes, excessos de balbúrdia, o meio possível para construir esquecimentos momentâneos. de resto, as contrações inexprimíveis. e é o que você conhece porque é o que existe. e é o que existe porque é o que você inventa. e é o que você inventa porque inexistia. nudez por baixo da nudez. olhos abertos, lanternas que procuram alguém perdido na escuridão. alguém, você mesmo com olhos que também lanternas a procura de alguém perdido na escuridão. tudo como um apelo. livros nas prateleiras, odes mundanas de páginas apunhaladas que, para o bem de todos, jamais se farão compreender totalmente. e a filosofia a não significar mais que escavação dos próprios pulsos em parágrafos apunhalados, frutos sanguíneos que em meio a nervos e cartilagens não restituem a vida. pensa em qualquer personagem da literatura com o qual tenha absolutamente... monstrinhos semióticos da jamais felicidade. vê, estão a sussurrar os lábios enquanto na sala do apartamento alguma balada paira qual morcego ferido sobre o tapete rubro. você não reconhece os silêncios não perscrutáveis, eles desejam sair ilesos nem se convenceram da tartamudez como privilégio. bebe-a tarde cinzenta de julho sem sequer o risco de cães no assim como é possível que os vizinhos a espionarem, festival perfuradoras presenças fantasmáticas, bailado sem respirações, equilíbrio do bafio da fera humana em roubo do absoluto nunca absoluto. em quase estóico cidadão você se transformou, nem não. bobagens estupidificadas, dirão os inteligentes ou qualquer um que pensa, que pensa que pensa. o que é terrível? treva por baixo das cobertas, criaturas bestiais do desejo a se proliferarem, lágrimas que rasgam as faces feito hélices de helicópteros. rascunhos do medo, apenas mínimas dimensões, um nada das medidas. e de novo a pergunta, dessa vez a um bobo: o que é terrível? e ele: só o que é terrível. o que é do péssimo é do desastroso, o que é do desastroso é do nauseabundo, o que é do nauseabundo é dos mundos do mundo sem que sejamos capazes de descrever em especulações o amor simples. claro que a felicidade, esse último capítulo das sessões da tarde. e o imperativo do se estamos ou não alegres e não esperar resposta alguma. mesmo analisando de longe, só podemos estar perto de nós mesmos. e seguros em casa, ainda assim temos a sensação de que sem ódio ninguém teria conseguido o quanto ninguém conseguiu, porque para todos os o quês? cabe ainda mais um o quê? somos nossos próprios bunkers a chegar a tal e tal e idade e não. possivelmente os robôs consigam com todas aqueles engrenagens a nos gritar que sim. nos cabe onde cabemos e vamos acabar, o espírito de Hamlet, Exu na máquina a contradizer qualquer ilusão de que não se sobrevive a tanto.

Luis Felipe Leprevost

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