domingo, 4 de janeiro de 2015

amo janeiro, a cidade desocupada, as ruas vazias, o silêncio... é comum iniciar um livro em janeiro, ou revisar poemas antigos inacabados, como quem reencontra o amor mais lindo em uma esquina da memória - engavetado - beber a beleza cristalina de olhos grandes, sorriso inacreditável... poemas são amados aos quais a gente volta e fica feliz, como quem recupera um encanto por belezas nunca propaladas... janeiro é incrível, é como se fosse concedido a quem escreve a hora ideal, aquela parada para recomeçar...

entre ossos e catedrais
na relva da casa clara
vento evaporado - ópio metafísico
bailava narinas da menina
na relva da casa clara
cheiro da grama cauterizava
primeiros rasgos da alma virgem
hoje o escuro vento obscuro
arrasta-me ao inferno
entre ossos e catedrais


Bárbara Lia

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