terça-feira, 16 de outubro de 2012

hunos

como sou autor e gosto de tontarias,

como nada o obriga, ó cioso leitor,

a me emprestar seus olhos e tudo

pode vir a ser um jogo

de ombros, muxoxo, fechar de livro,



decido me arriscar nestes e noutros

instantes precários (escadas de vertigem).

suponha que haja



enxames de segundos,

que seja a nascença do seguinte

a morte de um segundo na corrente ininterrupta...



suponha um enxame de segundos

(vivo e mortos, mas somados)

no favo melífluo de uma hora; agora

suponha que dos favos colaborados

tenhamos a abstrata colmeia, o dia,

um único e precioso dia.



tudo pra que eu ou você, com um cajado,

cutuquemos e deitemos por terra.

tudo pra que eu ou você arranquemos

nacos, lambamos e deixemos o resto

atrás da horda de dedos e dentes, largados



e depois voltemos, no último ônibus da última linha,

para os arrabaldes.
 
Rodrigo Madeira Barbosa

Nenhum comentário: