As pessoas confundem felicidade com facilidade. Facilidade é
leve, agradável, plácida – quando não ostensiva, quase vulgar. Felicidade não.
Felicidade tem profundidade, perspectiva, ângulos imprevistos. Chega a ser
dolorosa. Como uma nesga de céu azul entre as nuvens plúmbeas de maio. Como a
lâmina de um punhal na tua percepção. Como uma súbita taquicardia quando um
rosto na multidão te lembra alguém que você sabe que perdeu ou que vai perder.
Mais aí já não é felicidade, aí já é fatalidade – pois nesta vida tudo se
perde. Ou então é saudade: o vestígio agridoce da felicidade que se foi.
Facilidade, felicidade, fatalidade, saudade... Nuances. Vou me tornar um pintor
impressionistas e pintar só paisagens ao entardecer. Ou no outono.
[olw]
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