E haverá um dia conhecido do
Senhor que não será dia
nem noite,e na tarde
desse dia aparecerá a
luz.”
– Zacarias, XIV, 7.
Da flor de vidro restava somente uma reminiscência amarga.
Mas havia a saudade de Marialice, cujos movimentos se insinuavam pelos campos —
às vezes verdes, também cinzentos. O sorriso dela brincava na face tosca das
mulheres dos colonos, escorria pelo verniz dos móveis, desprendia-se das
paredes alvas do casarão. Acompanhava o trem de ferro que ele via passar, todas
as tardes, da sede da fazenda. A máquina soltava fagulhas e o apito gritava:
Marialice, Marialice, Marialice. A última nota era angustiante.
— Marialice!
Foi a velha empregada que gritou e Eronides ficou sem saber
se o nome brotara da garganta da Rosária ou do seu pensamento.
— Sim, ela vai chegar. Ela vai chegar!
Uma realidade inesperada sacudiu-lhe o corpo com violência.
Afobado, colocou uma venda negra na vista inutilizada e passou a navalha no
resto do cabelo que lhe rodeava a cabeça.
Murilo Rubião _ O Pirotécnico Zacarias / Ática
**Da série _ Livros da minha estante _ Página aleatória./
Fonte : Bárbara Lia
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