sábado, 9 de novembro de 2013

eu não tenho a visão da Bahia de Guanabara à minha janela
eu quero esquecer que a poesia se navega
tenho meus dois pés cansados
e os olhos encantados feito dois reinos postiços
e continuo a escrever porque a visão da minha janela é muito estreita
escrever tem sido a forma de realizar abandonos
esta seria a única resposta sincera: me faltam os instrumentos de navegação
que se chocam contra o cimento maciço
acho que há dias em que se pode ler um autor como Edgar Morin e morrer menos
porque o homem, o homem e a morte
este homem de quem ele fala
ainda não me tocou.tostes
Vigésimo andar

Tenho dias de ficar entorpecida
com as montanhas, em parte alguma.

Alargada pelas florestas, onde a verticalidade
varia como o câmbio - flutuo

sem pés nem asas pela chacina
de elevadores que incomunicam

o alto, sem confidências.

Roberta Tostes Daniel

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