Na quinta, acordei seis horas e ouvi um sonzinho de passos
na sala. Os passos iam e viam, num bailado delicioso em que eu conseguia
escutar até mesmo a valsa (parecia Ravel). Na pontinha dos pés, fui de mansinho
até lá. Pois não queria afugentar quem estivesse bailando em minha sala. De
imediato percebi uma réstia forte de sol por todo o chão (devo ter esquecido de
fechar completamente as cortinas ontem de noite - pensei). Então ela passou
como um raio. Uma mancha escura pela parede. Não me viu e continuou bailando.
Então sai do corredor e ela - assustada - retornou para o móvel de canto. Atrás
de sua dona, como um bichinho arisco que ao nos ver se aconchega na proteção do
dono.
Fui buscar a câmera, mas antes a percebi se ajeitando para
ficar exatamente igual à sua dona.
Amanhã vou acordar cedo de novo, Vai que consigo filmar o
baile de sombras.
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