terça-feira, 5 de novembro de 2013

O ROSTO da minha avó morta, 
plantada ao alto no canteiro da minha memória 
a sua voz ecoando, a sua voz rude, mas húmida 
a sua voz como um bom orvalho... 

e agora, que estou deitado, 
vejo as suas mãos - tão reais! - estigmatizadas, 
vasculhando-me o corpo ( aberto ) 
afundando-se nas minhas entranhas 

duas tesouras douradas à procura da rosa secreta.

Luís Costa

Nenhum comentário: