sábado, 9 de novembro de 2013

PAQUERAS



Ao entrar no ônibus, meus olhos procuraram as belas meninas que antes paquerava, e por quem era paquerado. Como nos enternece, nos provoca os olhos curiosos de quem está descobrindo a sensualidade da vida.
Às vezes, impulsionados pelo balanço do ônibus, os encontros de corpos ocorriam no acaso, porém muito desejados! Um descuido, e mãos se tocavam, esbarrávamos e o perfume ficava...
A alma vibrava por um simples flerte, e o corpo respondia.
Sentia meu corpo suar, só de imaginá-las ali dentro do ônibus, respondendo meu olhar puramente malicioso.
Meus olhos atentos encontraram algumas delas sentadas nos bancos para idosos. Agora, graciosas senhoras, por quem meu coração ainda ansiava.
Uma delas, ao me ver, sorriu. Talvez também trouxesse essas lembranças... Seu olhar terno e malicioso, continuava com sorriso de menina. Sentei-me ao seu lado, minhas mãos enrugadas, mas ainda descuidadas procuraram as mãos daquela senhora, e as dela procuraram as minhas. Seu olhar não mais procurava a sensualidade da vida, e sim a revelava. Ao nos tocarmos, senti arrepios conhecidos.
Com minha mão segurando a dela, agora de propósito, segui naquela viagem, olhando pela janela, buscando respostas nas lembranças, percebendo no mesmo trajeto de antes, diferentes paisagens.


JDamasio / A compota de Pimenta e outros Contos "puramente" Picantes 2009

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