Que manhã trazes, ó musa em mágoas?
Teus olhos fundos de visões macabras
Em teu rosto emergem das negras águas:
A fria doida dor na qual, só, te acabas.
Que duende obsessor ou exu de encosto
Te seduziu para a euforia infame de tua turma?
Que pesadelo ainda se repete no teu rosto
Como se tragada em lodos de promíscua furna?
Tomara Deus que, voltando à boa velha forma,
Teu pensamento batuque outro ritmo
E que, nele, Jesus Cristo toque teu íntimo
Com o primitivo poema da magnânima norma,
Que no eco dos anjos soa dulcíssima cantiga
E nos campos do senhor te estende a mão amiga.
Charles Baudelaire (França, 1821/1867)
Livre adaptação de Antonio Thadeu Wojciechowski
e Roberto Prado
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