A quem interessa esta mancha côncava na minha alma?
(Barbara Lia)
A quem interessa esta mancha côncava na minha alma?
Ver-me exposta neste cenário de praça depois do bombardeio
Ficar perdida e surda com o zumbido da atômica bomba do amor
Na cabeça os manuais de guerra: Caminhe devagar rente aos
muros,
Um esconderijo, longe da mira dos canhões, aviões...
Sem ficar exposta a tudo que vem depois
A quem interessa saber que a bomba acertou em cheio em mim?
Deixou esta cratera no peito com tua silhueta e teu nome
Deixou teu cheiro entre esta mistura de roupa e sangue
Deixou o eco desta tua risada espetacular
Perdi a guerra, perdi você, perdi uma parte minha...
A bomba atômica - no amor - é o não absoluto
E no nosso caso - fogo amigo - pois, estás ao lado
Amparas os arroubos toscos da minha alma naufragada
Corriges a bússola desvairada embutida em minha testa
Esfregas a loção curativa na minha alma e desces das alturas
Desces de todos os aviões, paraquedas, árvores e catedrais
Para cobrir esta dor exagerada que o viver traz
Não ser sensível demais - você pede - quase ninguém é
Ninguém expõe assim o interior bombardeado
É preciso calar o amor no último bunker do mundo
Vou guarda-lo lá com cuidado, o amor, o meu amor
E seguir com este espaço côncavo onde te aninhas
Com estes olhos lindos, esta carinha sapeca e esta risada
límpida
Vou seguir para bem longe dos destroços e das metralhadoras
Vou te esperar em um faiscante campo de papoulas
E quando todas as guerras receberem a tua luz purificada
Quando salvares todas as donzelas naufragadas
Será nossa hora de amar à relva em um crepúsculo inacreditável
Não posso estar contigo agora; Não posso estar sem ti
Resta o campo iluminado e ficar à tua espera - bunker
metafísico
Vou lavar no silêncio e nas flores esta agonia amorosa
A ninguém interessa esta mancha côncava na minha alma...
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