(SILÊNCIO, QUE O POETA TRABALHA)
Estou criando um segundo queixo.
(É foda envelhecer!)
Sobre a mesa,
uma resma de papéis.
Mordo outra vez a gengiva.
O café
dormita na térmica.
Aponto o lápis a estilete.
É claro que a ponta
quebra.
Levanto a camisa,
afago a barriga.
Cutuco o umbigo
com a ponta cega:
“Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Cunigundo...”
Enfio o nariz debaixo
do braço: “É no débito
ou no crédito?”
A propósito, tem um gambá
morando aqui no teto. (É sério!)
Ele raspa o forro com a pata,
eu coço, solidário,
o cotovelo.
Alguém, na casa ao lado,
se esgoela:
“Aleluia, irmãos!
Aleluia!"
* Marcelo Sandmann
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