Eternidade do minuto milagroso:
a erva cresce,
os grilos cantam sob o olhar antigo das estrelas.
Tão simples o mistério que uma criança pode soletrar...
Agora mesmo em qualquer parte há uma rosa ao sol,
boca entreaberta para a luz.
Esta noite é de outro lado claridade...
Hora dupla, simultânea, total.
Coração, girassol aberto sobre o mundo claro,
outros homens virão,
outra gente virá viver este minuto azul
na rotação da noite,
sentir que a morte é sempre a vida,
que a vida morre pelo amor da vida
e há sempre um centro inesperado
vertiginoso e irredutível!
- Augusto Meyer, em “Poesias (1922-1955)". Rio de
Janeiro: Livraria São José, 1957.
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