terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Pampa

Quando tomei o avião, senti que estava perdendo alguém. Não sabia se era morte. Ou se a pessoa simplesmente teria se apartado, emfim. Deixei para descobrir quando chegasse. O minuano me recebeu com fúria tão incalculável que resolvi me suspender no sono do hotel. Acordei encharcado do meu suor de viciada sentinela . O ar agora estagnado . Eu, pronto para ouvir o silêncio o nome de quem se extraviara. Ouvi o quero -quero .Levantei, corri atrás da voz de aço.Eu me desvencilhava de mim . Na planície, só aquele voo raso defendendo o ninho, aos gritos.

João Gilberto Noll

in" Relâmpagos".FSP 22/11/1999

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