sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Terminou de soar na relva a foice do crepúsculo...
Eu sinto hoje uma vontade louca
De mijar, da janela, para a lua.
(Sierguiéi Iessiênin)




O desencanto mata os centauros brancos
Quem antes deblaterava contra o negror
Morre branco de dor no Hotel Inglaterra


O desencanto raspa a tintura do poema
Rasga peles à carne viva
Mata meninos na flor da bonança


Os homens desde os Césares até Bush
Os homens desde a antiga Babilônia até USA
Os homens desde a primeira fala até o último ditador
Vestem o desencanto como luva


E havia nele tanto amor!
Morrer não é difícil – ele disse -
Difícil é o ofício de ressuscitar a esperança
Respiração boca a boca em todas as manhãs


Lá vai o menino pelos campos
Infância a caminhar em tábuas rústicas
Molha a lua com seu xixi audacioso


Lá vai o menino pelas ruas
O verso na boca
O coração aos saltos


Em Moscou ama Isadora meio à fumaça
Do "Cão Vadio". Maiakovski, a poesia, a luta
A neve diabolicamente alva de dezembro
A colorir-se de rubra dor
Na parede a mensagem escrita a sangue


Viver é difícil, sim, viver é
Este é teu canto real
Ao qual nenhum poeta escapa


Bárbara Lia

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