domingo, 8 de dezembro de 2013

A um Passante

Filho feito do que a rua apura
e junta sem refugar: ectoplasma
de panos sujos, de sacos de mercado
e latas, de arma desdentada na mão
mais o trecho do muro roído
que passa rente à linha do trem.
A vida não tem segunda via e vai
embora, terreno baldio, vala negra
misturada de céu e terra, e ainda:
plásticos pretos, catre de papelão
no meio- fio ,à beira do trânsito.
Rio indo, inabalável todo
tracejando por luzes e espumas
ao pé do leque aberto de montanhas
do puro perfil do corcovado no sol posto.

Armando Freitas Filho

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