Alexandre França
Quando me afundo nos lençóis
E entro na sua cabeça
Encontro a minha cabeça por dentro
E as respostas da existência dançam
Até flutuarem em direção ao sol
Bem em frente a minha cegueira.
Estou perto daquilo que amanhece
A cidade uiva a frequência dos cães.
Hálitos de álcool me enxaguam
Cobras e minhocas se libertam.
Há este ruído de construção
Dizendo "não vou deixar ninguém quieto" e mães e
filhos se abraçam ensaiando uma última vez.
O cinema passa os segundos do futuro próximo
Onde me afundo ainda mais em outras cabeças.
Só miragens lambem meu corpo
Irmãos de trevas me engolem e me cospem
Uma antiga civilização prepara assim a sua cerveja.
Estou perto dela e de todos.
Mortos fazem os seus pedidos
Para os vivos que acordam e esquecem.
Sentado em seu trono de vespas
Um estranho me oferece um beijo.
Estou com a memória nas mãos.
Minha poesia sussurra o urro dos fantasmas.
"Não vou te deixar parar"
É o que diz
O bate-estaca
Da construção aqui ao lado
Às sete da matina.
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