sábado, 14 de dezembro de 2013

anotação do sonho que tive na sesta desta tarde

Luiz Felipe Leprevost


um deles volta com sacos plásticos nas mãos. dentro, o líquido que joga em cima dos primeiros bancos, sobre as pessoas. e você aqui. só entendo o que está por vir quando o outro se abaixa, coloca um pequeno botijão de gás no piso e joga um fósforo aceso em sua direção. o estrondo, a fumaça preta se espalha por todos os lados. não consigo respirar, nem ver ninguém. só você, no meio do inferno. o calor insuportável se mistura aos gritos e à tosse das pessoas. corro em direção à parte traseira do trem. só penso em não morrer. preciso sair. encontro uma janela quebrada e me jogo nos seus braços. o tiroteio continua e os carros dão ré na avenida. deitado no asfalto, olho o meu braço que escreve e reparo que pega fogo. tiro o casaco preto que estou usando mas não consigo tirar a dor. a pouca pele que sobra no braço e nas mãos, preta como carvão. o lado direito do meu rosto derrete derrete e derrete. me arrasto perdendo o rosto no asfalto. não consigo levantar, as pernas e os braços derretem e derretem também. dois deles correm na minha direção. um terceiro me pega no colo e me leva para o carro. de repente, estamos no hospital. no hospital todos tem a sua cara. agonizo. você e você e você e você e você, passam por mim sem parar, mas nunca nenhuma das suas caras vem me socorrer.


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