domingo, 8 de dezembro de 2013

FLORA MARINHA


(Michel Sleiman)



a ti que me acolhes em braços de Adão

escrevo-me barca de Noé:



sou o último espécime, olha-me;

sálvia da perpetuação, salva-me;

animal sem par, ajunta-me;

alma zonza, agarra-me;

flor sem copo,

gineceu, androceu, retém-me;

parte da inteireza, recolhe-me;

estou em ti, guarda-me;

deslizo, escapo, quase, cata-me;

esfuma-me no instante, condensa-me



antes que o vendaval levante a água a Nilo e Eufrates

e soporize as bordas com seus braços grandes

que o oceano derreta o meu sal

e o céu me engolfe o talo adâmico



e reste a teu ouvido só a sereia

quimera de vagas

na proa

em mar errático


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