(Michel Sleiman)
a ti que me acolhes em braços de Adão
escrevo-me barca de Noé:
sou o último espécime, olha-me;
sálvia da perpetuação, salva-me;
animal sem par, ajunta-me;
alma zonza, agarra-me;
flor sem copo,
gineceu, androceu, retém-me;
parte da inteireza, recolhe-me;
estou em ti, guarda-me;
deslizo, escapo, quase, cata-me;
esfuma-me no instante, condensa-me
antes que o vendaval levante a água a Nilo e Eufrates
e soporize as bordas com seus braços grandes
que o oceano derreta o meu sal
e o céu me engolfe o talo adâmico
e reste a teu ouvido só a sereia
quimera de vagas
na proa
em mar errático
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