domingo, 8 de dezembro de 2013

Matizes



Ouso decifrar o amor
Seria o amor, púrpuro
Tom não contumaz?
Não poderia ser a paixão
Branca
Negra
Azul...
Ou tanto faz?

Aliás, melhor seria ser lilás?
Cor andrógena
Misturadas matizes
Entretanto...
E se vermelho for o amor?
Sim, por que não?
Carmim, a gradação ardente
Cor dos gemidos e prazeres

Ah o amor!
Por mais que me atrevo a pintá-lo
Sei que nele não há cor
E quando houver
Será o tom que se propor
E ele se ostentará nos olhares
Madrugadas, crimes e castigos
E em fileiras de dentes afiados

Noutras,
Apenas uma poesia menina
Contraditória, apesar do sorriso pueril
Num amor que poderá perdurar instantes
No reviver as calmarias e mil repentes
Da gelidez ou das nuances calientes
Mortais presas numa serpente
Que se imola no guizo do tempo

Enfim..

Amar é o dom de se manter feliz
É o esmaecer no receio dos medos
Que os carregamos também
É a água das chuvas densas
Que molham, molham e molham
E me encharcam.
De cores que, me tingindo
Diluem-me em aquarelas

Copirraiti07Dez2013
Véio China©


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