quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O impostor no baile de máscaras

"Cavalos. Eu gosto de cavalos. Não posso ter meu bicho de estimação em casa. Quem gosta de elefantes também não. Abro a janela do apartamento. Procuro no céu cavalos voando. Procuro na terra cavalos pousados sobre pinheiros. É mais provável enxergar automóveis estacionados sobre pinheiros. Eu insisto em enxergar cavalos. Eles passam voando. Vão na direção do litoral. Eles sempre voltam bronzeados. Cavalos encontram éguas. Copulam em pleno vôo. Ouço gargalhadas. Cavalos e éguas riem muito depois de copular em pleno vôo. São sábios. Riem muito depois de copular. São felizes. Sabem gargalhar em pleno vôo. Um ou outro dá um vôo rasante. Um ou outro passa perto da minha janela. Quer me assustar cavalo? Claro que não. Sabe que eu não me assusto com ele. Somos velhos amigos. Formam grupos. Se exibem para mim. Bailam. Três deles se escondem numa nuvem. Outros me dão as costas. Ficam olhando para as estrelas. Um deles pára sobre a lua. Eclipse. Bato palmas. O cavalo tenta se curvar para agradecer. Meus cavalos vão aos pinheirais. São disseminadores das sementes do pinho. Eu gosto de cavalos. Não posso ter meu bicho de estimação em casa. Quem gosta de elefantes também não."

Manoel Carlos Karam

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