quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

ROLEZINHO



Eu não curto funk-ostentação (funk, para mim, continua sendo Tim Maia, James Brown, Funkadelic), muito menos shopping center. Procuro me manter longe de ambos. Mas acho que é preciso entender o que está acontecendo. Antes de sair julgando (e quase todo mundo se comporta como juiz hoje em dia), acho que é melhor entender o que está acontecendo.
Pensa bem: se aparece uma ferida feia na mão direita, você vai até o médico e pede para ele cortar o braço, antes que vire uma necrose, uma lepra, um câncer? Ou tenta entender que tipo de ferida é aquela para poder tratá-la?
Antes que confundam tudo, entendam que não estou dizendo que os moleques que fazem rolezinho em shoppings, estimulados pelo-funk ostentação, sejam uma ferida feia.
Estou dizendo que estamos vivendo numa sociedade doente até o talo (afinal, são 514 anos de segregação, brutalidade e cinismo) e que as feridas vão explodir cada vez mais, em todos os lugares.

E o que vão fazer: chamar a polícia?


Ou o médico?

Ademir Assunção

Um comentário:

Anônimo disse...

No meu tempo existiam cybermanos, que planejavam arrastão também através de códigos e semiótica e dos gestos da linguagem urbana. Em contato com alguns burgueses pude perceber que os mesmos patrocinam a violência de maneira individual. Insultam os pobres nas ruas, que reagem de forma não mostrada pela Globo.