quinta-feira, 29 de maio de 2014

O AMOR AOS SESSENTA


Alberto da Costa e Silva

Isto que é o amor (como se o amor não fosse
esperar o relâmpago clarear o degredo):
ir-se por tempo abaixo como grama em colina,
preso a cada torrão de minuto e desejo.
Ser contigo, não sendo como as fases da lua,
como os ciclos de chuva ou a alternância dos
[ ventos,
mas como numa rosa as pétalas fechadas,
como os olhos e as pálpebras ou a sombra dos
[ remos
contra o casco do barco que se vai, sem avanço
e sem pressa de ausência, entre o mito e o beijo.
Ser assim quase eterno como o sonho e a roda
que se fecha no espaço deste sol às estrelas
e amar-te, sabendo que a velhice descobre
a mais bela beleza no teu rosto de jovem.

De "Poemas dos Sessenta Anos"

Nenhum comentário: