sábado, 6 de junho de 2015

branca




● fui uma descomunal baleia branca ●
● com toda exaltação com toda loucura ●
● das baleias brancas ●

● na mesma violencia ahab e queequeg ●
● em tudo um mais e mais q o pequod ●
● trazendo arpões ferros e punhais ●

● vcs sabem q tudo de tudo passa ●
● não fica nada de nada e não se toca ●
● nem as cinzas nem as tempestades ●

● agora sou isso peixe miudo ●
● perdido entre a praia e as pedras ●
● quase querendo tridentes e anzois ●

● vivendo nessa poça dagua salgada ●
● como se fosse o mar como se fosse ●
● o abismo a caça e os monstros ●

● fecho os olhos e durmo e ronco ●
● sem conseguir reviver a furia ●
● afoitezas duma bela baleia branca ●

● nem a fome das baleias brancas ●
● porq vivo mordendo ostras mortas ●
● tragando pedaços de mangue podre ●

● qualquer dia desses me entrego ●
● aos anzois famintos e me deixo levar ●
● pro mercado por uns poucos trocados ●

● ou me ofereço pras ondas ate a praia ●
● la o bico das aves ou a doce maldade ●
● das crianças sabera o q fazer ●

● enquanto isso fico aqui sonhando ●
● como se fosse rasgado por tubarões ●
● nessa toca tão azul e tão salgada ●

Alberto Lins Caldas

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