● fui uma descomunal baleia branca ●
● com toda exaltação com toda loucura ●
● das baleias brancas ●
● na mesma violencia ahab e queequeg ●
● em tudo um mais e mais q o pequod ●
● trazendo arpões ferros e punhais ●
● vcs sabem q tudo de tudo passa ●
● não fica nada de nada e não se toca ●
● nem as cinzas nem as tempestades ●
● agora sou isso peixe miudo ●
● perdido entre a praia e as pedras ●
● quase querendo tridentes e anzois ●
● vivendo nessa poça dagua salgada ●
● como se fosse o mar como se fosse ●
● o abismo a caça e os monstros ●
● fecho os olhos e durmo e ronco ●
● sem conseguir reviver a furia ●
● afoitezas duma bela baleia branca ●
● nem a fome das baleias brancas ●
● porq vivo mordendo ostras mortas ●
● tragando pedaços de mangue podre ●
● qualquer dia desses me entrego ●
● aos anzois famintos e me deixo levar ●
● pro mercado por uns poucos trocados ●
● ou me ofereço pras ondas ate a praia ●
● la o bico das aves ou a doce maldade ●
● das crianças sabera o q fazer ●
● enquanto isso fico aqui sonhando ●
● como se fosse rasgado por tubarões ●
● nessa toca tão azul e tão salgada ●
Alberto Lins Caldas
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