sábado, 6 de junho de 2015

o peixe




● 1917 ●
● pois assim consta ●
● na hemeroteca do grande arquivo ●

● 27 de fevereiro ●
● pra ser mais preciso ●
● estante 12 caixa 34 codice 57 ●

● q frederico augusto apunhalou ●
● 1 boa vez no torax o comerciante ●
● de peixes lulas e mexilhões ●

● pedro veloso em seu batente ●
● com a faca do dito pedro ●
● no meio daquela manhã ●

● q com a pericia de sempre ●
● furava a corvina se debatendo ●
● como se inda houvesse mar ●

● os q viram dizem ●
● q frederico augusto matou ●
● sem razão nenhuma e mais ●

● q pedro veloso morreu sem notar ●
● q morria junto com a corvina ●
● q com certeza tambem não sabia ●

● q eram apunhalados q não havia ●
● nem mais o mar nem a peixaria ●
● nem a cidade ou o jantar a noite ●

● porq o mais engraçado ●
● disso tudo jack é q o tal pedro ●
● veloso não lavrou não deixou ●

● testamento ●
● logo os irmãos devoraram tudo ●
● sem deixar nada pra viuva ●

● do pobre peixeiro pedro ●
● veloso q morreu com a corvina ●
● em fevereiro 27 de 1917 ●

● o q levou a dita viuva ●
● pro porto e praquela vida penosa ●
● mas disseram q ela se deu bem ●

● q logo logo depois era dona ●
● dum belo estabelecimento onde ●
● havia bebida mulheres e risos ●

● como disseram na epoca jack ●
● todo mal vem pro bem ou ●
● quem se fudeu foi o peixe ●

● porq tudo no mundo jack ●
● tem sempre a vida e a morte ●
● q merece inclusive o peixe ●

Alberto Lins Caldas

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