Curitiba se veste bem de cinza. O sol, apenas acessório.
Elegante , sua noite é confeccionada de gotículas brilhantes, sapecando seu
preto básico. As estátuas da Praça 19 de Dezembro fazem amor nas entrelinhas da
poesia. Mas, Curitiba comete deslizes também, usa mini saias em noites frias,
nas ruas de duplo sentido que desfilam, meninas e senhoras de programa do
Passeio Público. Os craqueiros atrás da catedral se drogam em uma rua sem
saída. Pela Riachuelo, passeio turístico obrigatório, novas fachadas nos prédios
antigos. Cenário com outra roupagem para as mesmas personagens. Espetáculo
trágico: prostituição, drogas, violência, roubos sob as luzes dos postes que
enfileirados iluminam a degradação humana.
Pelas madrugadas, apesar da violência na espreita, Curitiba
é envolvida pela névoa e pela poesia. Os ponteiros do relógio das flores marcam
que ainda é cedo, mas tarde para voltar atrás! Molhada e seminua, sua
sensualidade aflora nas velhas calçadas escorregadias que contam a sua historia
no Largo da Ordem!
JDamasio
Nenhum comentário:
Postar um comentário