Cabeça de negro – não entra –
cabeça de branco –
entra – cabeça de pobre –
não entra – cabeça de nobre –
entra – cabeça de pardo –
não entra – cabeça de podre –
entra – cabeça de cobre –
não entra, nem cabeça,
nem pés, nem mãos,
nem joelhos, nem nada –
não entra, neste passeio;
não entra, neste passado;
não entra, não é passeante,
se é preto ou pardo;
para esses – polícia;
para outros, delícia;
para esses, porrada;
para outros, pomada;
por isso, o poeta contesta,
por isso o poeta protesta,
por isso o poeta desafia,
por isso o poeta desafina,
se alinha junto a esses e a essas,
por isso, por aquilo, por tudo
e por nada que é de todos nós.
Claudio Daniel, 2014
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