sábado, 18 de janeiro de 2014

CABEÇA DE NEGRO



Cabeça de negro – não entra –

cabeça de branco –

entra – cabeça de pobre –

não entra – cabeça de nobre –

entra – cabeça de pardo –

não entra – cabeça de podre –

entra – cabeça de cobre –

não entra, nem cabeça,

nem pés, nem mãos,

nem joelhos, nem nada –

não entra, neste passeio;

não entra, neste passado;

não entra, não é passeante,

se é preto ou pardo;

para esses – polícia;

para outros, delícia;

para esses, porrada;

para outros, pomada;

por isso, o poeta contesta,

por isso o poeta protesta,

por isso o poeta desafia,

por isso o poeta desafina,

se alinha junto a esses e a essas,

por isso, por aquilo, por tudo

e por nada que é de todos nós.


Claudio Daniel, 2014

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