terça-feira, 14 de janeiro de 2014

TRISTE, MAS TRISTE DE NÃO TER JEITO


A Manuel Bandeira e Ézio Pires


Ao tempo estéril não medram sementes.
Ventos incessantes mastigando páginas
conhecidas em cegueiras de domingo.
Na calmaria, a escapar da rede, o sonho.
O poeta adormece em febre alta
e o espaço estranha: quem são? Que fazem?
Pede ao Senhor que as horas rege, inda a tremer
a contaminação, cada segundo
de artérias, veias, capilares, tudo
que, ao corpo, vida possa contemplar.
De outro poeta, sábios versos, em sussurro:
... a lua cor de prata
falou em voz baixa
para a minha tristeza
se mata
Riu-se ele, então, de quanta lucidez
prescrevia, ao cotidiano, essa receita.
Contra a dor, já travara luta intensa
e encontrara só placebos, por antídoto.
A tristeza, nem a morte quer matar!


Léa Madureira Lima

Carioca, poeta, autora de
As cercanias do outono.



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