O morto não mora onde o corpo se expõe
No último traje
Não cessa ali - sob o assédio dos olhos na caixa
fria.
Jaz, na derradeira vitrine do rito,
Apenas a casca oca
(que seus sonhos e medos já não guarda).
Inútil pranteá-lo, em flores e confissões,
Na masmorra de mármore.
Sob a lápide, apenas pele e destroços.
Sua dor volátil migrou para o invisível, rumo ao
sol.
O morto não mora no ossário,
Na urna de cinzas prometida ao mar,
Nos tesouros que guardava,
No quarto que o aguardava.
Não cessa no tiro, no corte,
Ou quando, amorosa, a morte o elege
No sossego da noite.
O morto não morre.
(poema de Carmen Moreno, poeta e escritora carioca,
recebeu prêmios em diversos gêneros literários. Está presente em diversas
antologias e participa de recitais desde a década de 80. Publicou De Cama e
Cortes (1993) e Lojas de Amores Usados (2010). Carmen está na série AS MULHERES
POETAS...Se quiser ler mais, clique no link Se quiser ler mais, clique no link:
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