cada brasileiro nasce devendo
10.000 reais.
cada norte-americano deve, já ao nascer,
47.000 dólares.
eu devo dois calhamaços
que boa parte da população não leria
por mais que.
você sempre sai magnetizado do cinema,
torna-se aparente que adquiriu uma expressão nova.
pensa nas pessoas sardentas e torradas.
o sol anda sempre cinzelado.
ele fica bem sendo menino,
todos preferem seu sorriso assim,
embora, no reflexo dos transportes públicos,
aqueles dois olhos de gato.
se fico doente a fim de não viajar, e penso a doença, estou doente.
quando penso em crianças, estou doente.
o professor carrega
os inconscientes dos seus alunos,
há pequenos psicopatas,
em seus sonhos,
não sei disso,
mas adivinho,
pelo peso de suas unhas
ao serem cortadas.
carregam
seus pensamentos,
seus tablets,
e suas palmas,
umas contras as outras,
e os trinta braços erguidos em êxtase.
há giz por toda parte.
e microfones que zumbem.
tirando a lentidão das dívidas,
todos bocejam ao fim do dia.
o travesseiro faz um ruído ensurdecedor ao tentar encaixar-se à minha cabeça.
eu vejo todo o seu esforço.
e a solitude não permite que eu lhe retire as rodinhas,
nem que remova seu cercado,
escorregadia e ciumenta, ela fugiria.
há nada para se salvar, a não ser Lítla Dímun.
(Sarah Valle)
Nenhum comentário:
Postar um comentário