sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Fantasmas da Noite



Luiza Silva Oliveira

Nos latejos da noite, fantasmas perpassam minha memória...
cubro minha cabeça tentando sufocar-me...
os ruídos da rua, com suas motos e automóveis barulhentos me reconduzem à aspereza da vida.

Me desespero, me reconduzo.

Os fantasmas da noite lentamente se desfiguram e vão se transformando em personagens na minha psique...
nas rudezas do seu caminhar, ensaboam-se na lama, com seus pés sujos, afundando em um lôdo quase, sem regresso...

Um medo taquicardíaco me invade; e busco uma fuga para o meu ser.

Os fantasmas me invadem e caminhamos juntos, na madrugada, buscando novos rostos transfigurados para compactuar com nossos sentindos,
Nessa doce cumplicidade, a madrugada com suas luzinhas coloridas, dança no seu cabaret de ilusões e sonhos;

Sonho com a atemporalidade e o renascer. Movo-me.Locomovo-me entre as agruras do tempo, tentando aquietar meu coração. Decepo minha alma, entre monstros cortejantes e volto para o regalo dos desejos e das inquietações

ah...meus nervos latejam novamente... me desgarro do passado, por um instante...

O novo se descortina, esbarrado pelos muros e escombros do passado...
me regozijo com o seu passar e lentamente vou aspirando cada sopro de vida, esgarniçado,
escarniçado...

Com os olhos vermelhos, injetados, busco um soro para a poeira da solidão...

feridas e cicatrizes desfilam ao som de tambores de fanfarras juvenis...
veias entupidas naufragam num mar de esperas e incertezas, aguardando sua travessia.

Respiro o ar trêmulo da noite, me apaziguando com cada clarão que se anuncia...

- os fantasmas em uníssono, questionam...são as luzes da ribalta?

Perpasso... no ritual; na santidade me resguardo, ansiando o sinal da vitória;
como numa longa estrada da terra vermelha, vou tramitando, buscando sinais de vida;

Trêmula, vanglorio-me entre o rastejar e o caminhar coxo...

me espreguiço e num tombo desolador, caio da cama.

Desperto para o novo dia anunciador, da vitória ou da derrota - como tipos esquálidos que atravessam o túnel escuro, sem pestanejar.

São os delírios mirabolantes do destino que desatinam sempre à mercê de chuvas e trovoadas...

The end


Nenhum comentário: