quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Cerveja no cárcere




Fiz este poemeto em homenagem a Porto Alegre, cidade onde nasci, ou melhor, onde estreei, e vivo.

Cidade do meu cansaço,

Do meu repouso também,

Lhe amo, lhe quero bem,

Porque no fundo contém

Os liames dos meus amores,

Cidade dos meus queixumes,

Cidade dos meus ciúmes,

Cidade das minhas dores!

É indevida a esmola que tu deres quando o mendigo que a receber se alegrar mais do que tu.

O bem que se faz não tem memória. O mal que se faz, este nunca sai da memória.

Fui almoçar ontem no Bandejão, o restaurante mais popular da RBS. Comi esplêndida abobrinha com queijo gratinado, pastel de galinha, arroz, feijão, bife de alcatre com molho de carne, sopa, salada, suco de frutas diet e de sobremesa um delicioso creme de amendoim.

Disseram-me que para nós, funcionários, a refeição custa apenas em torno de R$ 2,50.

Deli Matsuo, o novo vice-presidente de gestão e pessoas da RBS, andou também lá pelo Bandejão, antes de mim, o que prova que por onde ele passa continua crescendo a minha grama.

O senador Paulo Paim (PT-RS) solicitou da tribuna do Senado Federal um voto de aplauso a este colunista pela comemoração de meus 40 anos de trabalho na RBS.

E leu por inteiro da tribuna a coluna de sexta-feira passada, quando transcrevi a letra do samba-enredo que a Imperadores cantará na avenida no ano que vem, em homenagem ao próprio Paim.-

Não há turno mais propício ao tédio do que a tarde de domingo. A semana foi pesada e ameaça voltar na segunda-feira.

Essa monotonia cotidiana é amassante e se a gente não passeia com o cachorro ou não anda de bicicleta, ameaça soçobrar.

O trabalho enobrece o homem, mas cansa pra burro.

Essa notícia da apreensão de 2.600 latas de cerveja no interior de uma prisão para policiais militares no Rio de Janeiro é objetivamente um marco na desordem que grassa pelo país.

De um lado, já estranha que haja 300 policiais militares presos em um estabelecimento, eles tinham sido talhados para prender e cuidar de presos e acabam se tornando detentos.

Por outra parte, soa como odioso o privilégio de que presos consumam 2.600 cervejas. Mas, num país em que é proibido o consumo de cerveja nos estádios de futebol mas se permite à Fifa que haja exceção na Copa do Mundo de 2014 e voltará então a se beber cerveja nos estádios, tudo é possível.

Ninguém sabe explicar como podem passar pelo portão principal de uma prisão 2.600 cervejas sem que os responsáveis pelo estabelecimento carcerário tomem conhecimento dessa carga.

A que serviriam as milhares de latas de cerveja? A um aniversário de preso ou a um show que apresentaria o Zeca Pagodinho, cantando com uma lata de cerveja na mão?

É o fim da picada!

PAULO SANT’ANA -  26 Oct 2011 


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