sábado, 16 de fevereiro de 2013

VIAS ÍNVIAS






Se o escombro do assombro fosse um verso
e o universo, em meu ombro, um benefício.
Se o acesso da festa fosse físsil
e o difícil se fizesse fácil...

Se a moça do sonho fosse tátil
e, de fato, florisse aos meus tratos
Se a flor que me desse me sorrisse
e, na flor de seu viço, me afagasse...

Se o desejo alcançado me bastasse
e a dor, que me mora, desistisse...
Se a morte, na hora, se matasse
e, na última cartada, eu conseguisse...

Eu não seria de esmar, de errar tanto
E nem teria este ar de degolado
Ficaria alegrado no meu canto
com o meu canto de alento, de legado...


Altair de Oliveira, In: “A Grande Coisa.”

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