Afrodite
não tem autores prediletos, mas cenas prediletas de peças que nunca leu
até o fim. Afrodite não tem pratos preferidos, mas lanchonetes onde
julga haver sandubas bem servidos e saudáveis. Afrodite não devolve meus
discos, nem me deixa cortar os pulsos de manhã depois que a ouço cantar
um repertório que conheço tão bem como se eu mesmo o tivesse composto
com meus três acordes. Afrodite e seus olhos que dizem sempre a verdade
não custa caro pra quem sabe mentir. Suas idéias infantis me comovem bem
mais do que a filosofia. Contorno suas tetas, barriga, bunda, coxas,
panturrilhas. Sua beleza tem o efeito de monomanias em mim. Reparo nos
seus dentes e me pergunto se o segredo está em fazê-la sorrir. Enquanto
Afrodite sorrir tudo ficará bem, caso contrário, imediatamente borrado,
com trevas injetadas nas veias.
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