domingo, 14 de abril de 2013

Amálgama




A vida me persegue com seus timbres 
Roucas vozes do acontecimento; 
Nada me amedronta mais 
Que a face intacta das coisas. 

Tomo de açoite o banquete das rosas 
Oásis de brancura estendem-se 
Em escarlates ensandecidos 
De-lírios à veia acesa. 

Restam desertos 
Que o sol, tresloucado 
Chama de poemas. 

A areia arranha o silêncio do pêlo e sua 
Mistura de sal no sentido da pele 
Perduram águas. 

À sina de mim 
Amálgamas vertem suas misturas 
Que a pureza dos olhos 
Chama pássaros 

Circundam o mel do corpo 
Venta, na eriçada 
Flor do ventre.

Roberta Tostes Daniel

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