domingo, 14 de abril de 2013

Móbile




Depor em minha vida, a vida de meu verbo
feito de visões: estrela-guia 
de um reino sem lugar, sem palavra.

O jato das horas; o golpe do tempo;
seu riso sufocante, de areia movediça;
afogam na transubstanciação desta água.

Miramar pendente de mergulho;
fôssemos meninos, braçadas;
onde estivesse o mar;

esta mão que enleia a tempestade
- sempre um visgo, um tremor 
de vício nas mãos: escrever

asas em ruínas;
fôssemos o chão;
caminhássemos chuva.

Mas como se apaga o chão 
de terra lav(r)ada?
A nuvem o que mais germina.

Guardemos silêncio
sobre a boca das palavras
em dia de visão.

Atravessemo-nos 
com a perfuração das passagens,
línguas em desastre.

Tantas palavras;
o silêncio não é uma feira;
a vontade de dizer 

para calar.
Estou abocanhada pelas ilhas,
à borda de reino em exílio.

O meu grito
o que desfaço
das imagens,

com que me entrego
violentamente ao mundo, 
desmundo.

Roberta Tostes Daniel

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