Depor em minha vida, a vida de meu verbo
feito de visões: estrela-guia
de um reino sem lugar, sem palavra.
O jato das horas; o golpe do tempo;
seu riso sufocante, de areia movediça;
afogam na transubstanciação desta água.
Miramar pendente de mergulho;
fôssemos meninos, braçadas;
onde estivesse o mar;
esta mão que enleia a tempestade
- sempre um visgo, um tremor
de vício nas mãos: escrever
asas em ruínas;
fôssemos o chão;
caminhássemos chuva.
Mas como se apaga o chão
de terra lav(r)ada?
A nuvem o que mais germina.
Guardemos silêncio
sobre a boca das palavras
em dia de visão.
Atravessemo-nos
com a perfuração das passagens,
línguas em desastre.
Tantas palavras;
o silêncio não é uma feira;
a vontade de dizer
para calar.
Estou abocanhada pelas ilhas,
à borda de reino em exílio.
O meu grito
o que desfaço
das imagens,
com que me entrego
violentamente ao mundo,
desmundo.
Roberta Tostes Daniel
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