terça-feira, 9 de abril de 2013

da série Fazer teatro a qualquer custo:


Luiz Felipe Leprevost


as platéias ávidas por vingança

estou um ET

o que seria dele, hein, com uma produtora

ninguém é burro só o burro

ponto de vista tem lá a indústria

tenho uma boca dentro de mim

abraçar o mundo com as pernas

atrapalha a entrada do público

cara-a-cara com você, esgoela

o texto sentado no banquinho

a dança faz bobagem

na região dos médios, indo pros médios-médios, médios-graves, graves

farelos de voz rouca tombada na garganta

sou um dissidente paralisado

convida alguém da platéia, é o Loutreamont

na gaiola?

as feridas que se foda não são tão somente as feridas que se foda

melodioso-melancólico

voa, rola, vai, ribalta

búfalo nas coxias

acontece que sou pacífico

inscrevi meu aniversário no próximo edital da Lei de Incentivo

por 42 horas o riso frouxo

a fisionomia radicalmente da primeira pra segunda investida

tudo testa, sobrancelhas, olhos, nariz, desenho dos lábios, bochechas, queixo, pescoço tudo

minucioso cuidado na mera estripulia facial

não se convenceram críticos, os críticos

beto bruel o cara que ilumina o ator por dentro

as Bagunças davam trabalho, mas não nos era penosa a convivência com as Bagunças

médios, médios-agudos, agudos, agudíssimos

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