Uma filósofa foi comprar roupas num brechó. Quando chegou à loja deparou-se com uma mulher que tinha recém molhado as plantas e lia o jornal do dia. A filósofa entrou. Seu olhar correu pelo espaço pequeno do estabelecimento. Araras suspendiam cabides com vestidos, camisas e saias. Encostado na parede num balcão: blusas, Cardigans e blusas de gola alta esperavam. Cheiro de infância. Um vaso com margaridas de plástico. No chão uma criança brincava com um quebra-cabeça. Próximo da janela um casaco em Patchwork balançava com o vento que assobiava lá fora. A filósofa ao entrar na loja foi recebida pela vendedora que deixou o jornal sobre o balcão e perguntou-lhe o que ela precisava. Disse que precisava de roupas para o inverno e foi-se dirigindo para o casaco em Patchwork. Tirou do cabide, cheirou e experimentou-o. Na rua chapéus voavam no ar. Uma borboleta veio parar em frente do rosto da filósofa, dando-lhe um susto e provocando na criança risadas. Estava na hora de ir, pensou. Um pensamento leve tinha lhe oferecido o que ela procurava.
De Mara Paulina Arruda
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