sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Homenageando EDIR PINA DE BARROS



Hão de ficar no ar depois do meu adeus,
Libertos dessas mágoas, dessas mil penúrias,
Das dores que senti porque demais sonhei.

Edir Pina de Barros

1
“Das dores que senti porque demais sonhei,”
Jamais me esqueceria; imenso desafeto,
E quando em solidão, meu mundo vai repleto,
A vaga sensação domina inteira a grei,
O quanto poderia e ao fim nada terei,
Meu barco sem sentido, aborto dita o feto,
Do amor que tanto eu quis, apenas incompleto,
A sórdida expressão que em ti eu cultivei.
Meus sonhos, meu anseio, a vida sem sentido,
O tempo sem proveito, o encanto destruído,
A fúria do que invade e gera pesadelos.
Fazendo da esperança a farsa mais comum,
De tudo o quanto busco, agora sou nenhum.
E os sonhos? Na verdade. É melhor nunca tê-los...

2

“Libertos dessas mágoas, dessas mil penúrias,”
Quem sabe nalgum dia ainda seja crível
Os dias mais gentis, a vida noutro nível,
Vencendo simplesmente as tantas vãs incúrias.
Não adiantaria a fuga para Astúrias,
Tampouco o que trouxesse um solo mais plausível,
Amor nos dominando, um verso que impossível,
Traduz em tempestade as mais diversas fúrias.
Não quero e não pudera apresentar saída,
O jogo sobre a mesa, a rodada perdida,
E o vento desabando em rude vendaval.
Amar é crer no quanto a vida nos traria
Bem mais do que somente a frágil poesia
Buscando na esperança um tosco e tolo aval.

3

“Hão de ficar no ar depois do meu adeus,”
Os brilhos que sonhei da aurora que não veio,
Meu verso se perdendo em tolo devaneio,
Negando o quanto eu quis em sonhos tolos, meus...
A vida declinando após seus apogeus,
O mundo sem sentido e o tempo segue alheio,
Ao quanto desejara e sem sequer um meio,
Distante do horizonte, onde estará meu Deus?
Somente este vazio adentrando o meu peito,
O sonho que vivera agora, enfim desfeito,
O tempo se nublando, as nuvens... temporais...
Respostas que este vento expressa com firmeza,
O todo desejado, agora com certeza,
Responde simplesmente: “amigo; nunca mais!”

Marcos Loures  

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