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sábado, 24 de junho de 2017

Vou contar uma história : meu vô costumava frequentar o Templo das Musas. E eu, que o amava muito, queria sempre acompanhar, mas não podia, pois era criança. O tempo passou, o Vô cruzou a Ponte entre os Mundos. Eu fiquei adulta e um dia fui convidada a dizer poesia, junto com as "Meninas que Escrevem em Curitiba ", bem lá. E estava nervosa, BAITA responsa. Chamei o Vô e pedi que me colocasse a vontade na casa que era também dele. Quando estava lendo, o vento soprou sobre meus cabelos. Senti alívio da timidez. Li bonitinho um lindo poema simbolista. E um meu, todo transgressor. Senti o sorriso do Vô do outro lado, junto com os companheiros daquela Egrégora

. Quando passeei pelo jardim, as samambaias no caminho se inclinavam quando eu passava. Por isso chamei aquele bosque de Bosque do Acolhimento. E quando fico triste, ou preciso de inspiração poética, é pra lá que eu vou, mesmo que só em pensamentos. ..

Maria Lorenci

domingo, 15 de maio de 2016

People & Arts


Somos paisagens
Somos viagens.
Beduíno, viajas por meus desertos.
Amazônica, navego por tua mata densa.
Turismo;
Percorro de bicicleta tuas estradas
Cavalgo vagas em teus mares
Povôo de sonhos tuas montanhas
Floresto teus caminhos de pedras.
Peregrinações:
Vais a pé, sou Aparecida
Vais de trem, sou Machu Pichu
Vais sofrer, sou Compostela
Vais vencer, sou Varanasi.
Transformações:
Era Batel, virei Barcelona
Eras Sampa, viraste Amsterdam.
Éramos pouco
Viajamos por nós
Crescemos.
Geografias:
Rios, montes, cascatas
No meu corpo.
Pedras, arvores, muralhas
No teu corpo.
Somos juntos
Um Planeta.

‎maria lorenci

Natgeo


Sou paisagem
Nem sempre sou.
A mesma, nem sempre.
Sou noturna Nova Iorque
E a Quinta da Regaleira
Píncaros e profundezas
Sob um luar causticante.
Sou o Negev
E as corredeiras do Nhundiaquara
Calor e frio
Ao sol delirante.
E sou o Largo e Guaratuba
Lar, aconchego, verdade...

‎maria lorenci

sábado, 14 de maio de 2016

"Draco dormiens nunquam titilandus"


Deixe que durma
Que espalhe braços e pernas
Pelo colchão, sem limites.
Deixe que respire
Que sua garganta faça
Os mesmos barulhos de sempre.
Deixe que ela ocupe
Enfim, todos os espaços:
A cozinha, o banheiro, o canil.
Não se importe com as chaves
As roupas, os sabonetes
A ração do gato, as bananas na fruteira.
Deixe as chaves do carro
O dinheiro no cofre
Os cartões de credito
Saia vestido de coragem
Bata o pó das sandálias
Seja livre enfim.
Permita que o Dragão acorde
Se espreguice e te acolha
O Mariscal nos espera...

‎maria lorenci