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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Geraldo Lima

Uma enfermidade de gente deitada ali, onde, há pouco, o sol se esparramava todo, ilha de luz convidando ao exílio, ao evadir-se do mundo. Agora a penumbra serve de esconderijo, e o corpo mescla-se ao turvo, deixando quase de existir.


(Trecho do conto Baque, do meu livro BAQUE)
Geraldo Lima

A filha quis saber quando ele voltaria. Ainda sente seus braços em volta do pescoço. Sabe, no entanto, que a nave nunca mais voltará ao ponto de partida.


(Micronarrativa da série Lascas)

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Meio tonto por causa do vinho, para diante da adaga plantada no centro da sala. Brilha feroz presa ao suporte que ele mandou preparar exclusivamente para o dia de hoje. Suporte e altar. A lâmina afiada, tesa, esperando apenas que a mão se mova decidida. Parece, na verdade, clamar pelas mãos do samurai que há séculos renunciou à luta. “Minamoto No Tametomo apoiou-se no pilar de madeira e tocou a ponta da espada contra seu ventre, no ponto sagrado, três dedos abaixo do umbigo — seu hara, lar sagrado da alma.” Arrepia-se ao se lembrar dessa passagem que leu por acaso num almanaque.

Geraldo Lima

(Trecho do conto Adaga, do meu livro BAQUE)

sábado, 20 de julho de 2013

SÍSIFO



qualquer caminho: caminho
o inferno: nosso destino?

levar as pedras de volta ao topo
por mais inútil que seja o esforço


Geraldo Lima