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domingo, 10 de setembro de 2017

ADMISSÃO


Aceito
não sem tristeza
que minha imagem
mesmo pequenina
já não é sequer miragem
em tua
retina

Aceito
não sem melancolia
que no espelho
de teus olhos
se apagou pra sempre
a minha
fotografia

Aceito
a aridez
em que se transformou
o jardim
de nossa ( agora )
terminal
alegria

Perdoe-me
dona das pedras
sei que te sonhei mais

do que devia


Bruno Junger Mafra       

sábado, 9 de setembro de 2017

O vendedor de quebra-queixo


ainda passa
na minha rua

É o mesmo sino de minha infância
é o mesmo sino de minha infância

Lembro o menininho magro
que gritava
- Pai , quebra-queixo tá vindo
me dá dois "mirréis

Ah quando a vida
tinha gosto
eram tão simples
os sabores da vida

E hoje
que o menino cresceu
e o pai não está mais
Surgiram lágrimas
salgando a vida

Só o sino da minha infância é o mesmo

só o sino da minha infância

SABORES - Bruno Junger Mafra

sexta-feira, 25 de março de 2016

REPASSE


Em minha vida
repassada
restou de mim
poemas em forma
de nuvens flutuadas
disfarce de gritos abafados
da dor aguda
e solitária
E no fundo
de tudo a confissão
de cada verso
é transpassar
de facada
Em cada morte
que se grita
eis minha vida
em versos
contada

- Bruno Junger Mafra -

sábado, 30 de janeiro de 2016

O ENXADRISTA


Disputava partidas de xadrez
com o passado
apostando num futuro
sem desesperança
Como sempre perdia
desistiu de adquirir
da vida um cheque
em branco
Conformou-se em viver
num eterno
xeque-mate

-Bruno Junger Mafra-

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

ELEGIA ATUAL
De ansiedade
ou tédio
será a
causa mortis
Nas redes sociais
será postado um link
para que ninguém
se sinta incomodado
Quem quiser
poderá assistir
aos ritos do funeral
através de seus smartphones

- Bruno Junger Mafra –