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quinta-feira, 5 de setembro de 2019

O mar e a vida




Eu adoro o mar; nele existe alguma coisa de especial que me envolve
Que me fascina, absorve-me, me mete medo e me inspira respeito
Gosto de observá-lo à distância, quando ele está revolto ou sereno
Sua braveza me excita, sua mansidão ameniza o meu ser agitado.
Quando o vejo, a minha imaginação se torna um gigante e cria asas
Penso nos seus mistérios, sua imensidão, profundezas e segredos
Respeito a sua soberania, a sua ousadia, suas leis e seus critérios
Vendo-o de perto. Comparo o mar com a vida e a vida com o mar.

O vento é nosso destino e o tempo nossa bússola. Nossa vida é o mar
Somos barcos navegando, ora em águas calmas, ora em águas agitadas
Desde muito cedo, devemos aprender a navegar e a conhecer a solidão.
Vencer o medo, obedecer às regras do vento, para o barco não afundar.
De onde partimos nós não sabemos, o nosso destino é outro segredo
Não se deve remar contra a maré, nas horas das tempestades e trovões
Deve-se ter paciência. Respeitar o perigo. Esperar o vendaval passar
Não esquecer que ora sopra ventos traiçoeiros, ora ventos favoráveis.

No mar de nossas vidas existem muitas ilhas, muitos rochedos e portos
Muitas dificuldades, subidas e descidas, águas desconhecidas a singrar
Os nossos sucessos e nossas derrotas dependem de cada um de nós
Nossas conquistas são resultados de nossas lutas, nossa garra e talento.
Não adianta cruzar os braços, reclamar, ficar esperando a sorte ajudar
Quem espera tudo acontecer não consegue nenhuma meta alcançar
É um barco desgovernado, navegando contra a vida e, contra o vento
Não atingirá a lugar nenhum, pois vai ser tragado e devorado pelo mar.


Concita Weber 

17 de julho de 2011 

sábado, 24 de junho de 2017

Vamos saber envelhecer.

Vamos saber envelhecer.
Estou envelhecendo, percebo isso em uma porção de coisas. Não é pelas rugas e pelos cabelos brancos, tampouco pela dor na coluna, no joelho, pela falta de força na hora de empurrar um armário pesado... Coisas dessa natureza não me preocupam tanto; já esperava por isso. Consigo até conviver bem com essas primeiras mazelas da velhice. Percebo que estou envelhecendo porque estou me tornando mais tolerante, mais amorosa, mais compreensiva e, acima de tudo, mais humana. Na verdade, estou voltando a ser criança. Uma criança experiente, madura e que tem uma porção de histórias interessantes para contar. Passei a valorizar mais a união da família e a perceber melhor a grande importância de se ter verdadeiros amigos. Estou conseguindo conquistar um espaço só meu e daqueles que eu amo e me fazem bem. Não é por egoísmo é porque preciso de paz e de tempo para refletir e escrever. Não tenho mais tempo a perder com vaidades bobas, com pessoas que nada acrescenta nem com relações que vão destruir a minha paz interior. Quero viver o tempo que me resta do meu jeito, sem pressões, sem o compromisso de dar satisfação a quem exige de mim coisas que não se enquadram mais no meu mundo. A velhice não me assusta, sempre soube que um dia ela iria chegar e me preparei para viver mais essa etapa de minha existência com dignidade e gratidão. Sim. Sou grata por ter visto meus filhos crescerem e se tornarem pessoas equilibradas e do bem, por ter bons amigos, por ter conseguido realizar a grande maioria dos meus sonhos e por ter a felicidade de viver nesse planeta maravilhoso e, acima de tudo, por ter o privilégio de ter vivido tanto, quando tantas pessoas morreram tão jovens. Se revoltar porque está envelhecendo é uma grande ingratidão. Ninguém veio a esse planeta para ficar, viver é como fazer uma viagem e a velhice é a viagem de retorno para casa. Nada aqui nos pertence, é um grande erro se apegar demais a coisas materiais e a essa vida. Se tendo consciência disso tudo se torna mais fácil.

De Concita Weber

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Deixem-me Envelhecer


Deixem-me envelhecer sem compromissos e cobranças
Sem a obrigação de parecer jovem e ser bonita para alguém
Quero ao meu lado quem me entenda e me ame como eu sou
Um amor para dividirmos tropeços desta nossa última jornada
Quero envelhecer com dignidade, com sabedoria e esperança
Amar minha vida, agradecer pelos dias que ainda me restam
Eu não quero perder meu tempo precioso com aventuras
Paixões perniciosas que nada acrescentam e nada valem.
Deixem-me envelhecer com sanidade e discernimento
Com a certeza que cumpri meus deveres e minha missão
Quero aproveitar essa paz merecida para descansar e refletir
Ter amigos para compartilharmos experiências, conhecimentos
Quero envelhecer sem temer as rugas e meus cabelos brancos
Sem frustrações, terminar a etapa final desta minha existência
Não quero me deixar levar por aparências e vaidades bobas
Nem me envolver com relações que vão me fazer infeliz.
Deixem-me envelhecer, aceitar a velhice com suas mazelas
Ter a certeza que minha luta não foi em vão: teve um sentido
Quero envelhecer sem temer a morte e ter medo da despedida
Acreditar que a velhice é o retorno de uma viagem, não é o fim
Não quero ser um exemplo, quero dar um sentido ao meu viver
Ter serenidade, um sono tranquilo e andar de cabeça erguida
Fazer somente o que eu gosto, com a sensação de liberdade
Quero saber envelhecer, ser uma velha consciente e feliz.

Concita Weber