Mostrando postagens com marcador marcio gleide nunes dos santos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador marcio gleide nunes dos santos. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

POETA



Ser poeta...
Usando a caneta afiada como adaga.
Que fura, dilacera e mata o animo dos maus.

Ser Séneca...
Ser Platão...
Ser Magela.
É ser Titãs... Dar outro rumo as guerras.
É ser gladiadores que lutam por donzelas...
Pelos pobres jovens negros que morrem nas favelas.

Ser poeta...
Formadores de opiniões.
Que podem mudar nações,mudando os cidadãos.
Usando o dom da palavra e da escrita.
Da pintura em telas e dos grafites que traz beleza a cidade doente.
Na sensibilidade do captar imagens com as lentes.

Ser poeta...
Trazendo a mensagem sútil e profunda.
Nas cordas da musica de Osmar Aedo.
Na dança de uma Senhora Cigana guerreira.
É ser Arco e flecha e atingir políticos corruptos.
Denunciar a policia com desvio de conduta.
Dar injeção de otimismo aos oprimidos que não tem voz.

Ser poeta.
É guiar o levante dos esquecidos.
Sendo armas que travam a boa luta.
Sendo conciliadores e trazendo o amor.
Sendo sedentos de paz.
Sendo o próprio Pombo.

Marcio Gleide Nunes dos Santos

Curitiba-PR 

domingo, 16 de julho de 2017

AS ABORDAGENS



A uma lanchonete pequena cheguei, cumprimentei as poucas pessoas que estavam lá, pedi uma cerveja e como já conhecia alguns iniciei um bom bate-papo.
Pouco tempo passado, eu ainda na primeira garrafa, chegaram dois fardados que entraram, olharam nossa cara, os cantos do estabelecimento e embaixo da mesa de sinuca localizada no centro daquele espaço. Saíram sem nada perguntar ou dizer, mas, com cara de poucos amigos. O silêncio que tinha tomado conta do ambiente começou a se dissipar.
Dois rapazes que estavam mais próximos ao portão da lanchonete foram para fora e andaram até a curva da esquina, olhando para onde tinham ido, e de onde vieram os dois fardados.
Retornaram rápido sob meu olhar e dos amigos que estavam perto de mim. Disseram apenas: estão voltando, e se sentaram de novo, onde estavam.
Chegaram os dois fardados e mais outros três com armas em punho, direcionadas a nossas cabeças, gritando: mãos na parede, abram as pernas vagabundos:
- Tem alguém armado?
- Você neguinho, tem passagem? - (não se tratava de passagem de ônibus para os desinformados e afortunados por nunca terem ouvido isso com a gentileza costumeira).
Coturnos encontrando tornozelos, como fazem os zagueirões pra defesa dos goleiros... no meio do campo, com a força dada por Deus.
Uns aiai, senhor..., outros gemidos..., uma perna solta na tentativa de aliviar o impacto foi percebida. O dono dela recebeu um gancho na costela. A geral foi dada entre o medo e terror do que poderia nos acontecer. Esculacho..., seria o de menos. Infelizmente já vimos e vivemos coisas piores, em outras ocasiões como esta.
Passada aquela ação truculenta, alguns foram embora, sentindo falta de dignidade e um com costela quebrada, mas..., vivos.
Calejado após muitas luas, pedi outra cerveja, porque, a primeira tinha esquentado. O dono da lanchonete me atendeu e pediu desculpas, como se ele fosse o culpado daquele tratamento. Eu disse a ele para ficar tranquilo, que estava tudo bem, mesmo sabendo que aquilo não era natural, apesar de ser normal em todas as periferias, pois somos apresentados cedo àqueles tipos de profissionais do estado.
O bate papo reiniciou com lamentações, mas, bola pra frente..., e massagem nas canelas.
Um tiozinho chegou e logo foi desafiando todos, a uma disputa na sinuca, mas, em melhor de três. Claro que arrumou um oponente e o clima começou a melhorar. Com isso desceram mais cervejas, conhaques, rabo-de galo, amendoins...
Palpites começaram a surgir como se o Rui Chapéu, estivesse ali, instruindo um aluno, fazendo sempre um dos jogadores ficar com raiva, enquanto o outro sorri. Minha cerva era a terceira.
Já tinha dado algumas risadas também, afinal tinha sido pra isso que fui à lanchonete..., bater papo, tomar uma gelada e me divertir, principalmente, com a derrota dos times de futebol..., dos outros, mas, como tem dias que parecem noites..., dobraram à esquina outros homens fardados. Alguns deles a pé, e alguns a cavalo. Os cavaleiros ficaram em frente à lanchonete, apostos, os outros entraram, com armas à mão, mas, apenas dois deles, sendo que não tinham nossas cabeças como alvo.
O que entrou primeiro pediu os documentos e verificou um por um, com outro fardado ao lado, que tinha uma metralhadora niquelada em punho, mas, mantinha um olhar tranquilo.
Chegando minha vez, ao se aproximarem entreguei a identidade que conferiram e um deles perguntou de quem era a mochila sobre a mesa. Respondi que era minha. Ele pediu para abrir os zíperes e olhou todo o interior. Esticou a mão, pegou um objeto que estava no fundo e perguntou:
- Isso aqui e do seu filho?
Respondi que não, que aquele objeto era meu. Tinha comprado de um artista de rua. Um artesão que faz lindas obras de arte com alicate e arames. (Era uma aranha com o dorso de pedra vermelha).
Ele pediu para fechar a mochila e foi se afastando com a aranha metálica na mão. O guarda-costas dele, sempre ao lado. Chegando à porta da lanchonete, retornou a minha direção, esticou a mão sorrindo e me devolveu a aranha metálica.
Saíram, ele, os cavaleiros que estavam do lado de fora, o guarda costa e os outros fardados, tranquilamente, nos deixando com a mesma paz que estávamos, antes da chegada deles. Fizeram o trabalho que tinham a fazer e nos desejaram, boa noite. Todos desejamos o mesmo.
Existem fardados que se orgulham de servir, proteger e fazer corretamente, o que escolheram de oficio. A eles, todos os cidadãos de bem, desejam as bênçãos de Deus.

Marcio Gleide Nunes dos Santos
Curitiba-PR 16/07/2017


Revisor: Olinto Simões

quarta-feira, 1 de março de 2017

POR QUÊ?



Perguntou o menino.
Por quê não posso ter e brincar de carrinho.
Pedalar a bicicleta do Batman ali no campinho.
Ter que apertar o short com o cadarço que jogaram.

Porque a senhora me olha.
Tão forte abraça a bolsa dela,
Olhando sempre para trás acelera os passos.
Mesmo que eu tenho parado para esperar o ônibus.

Como perguntava o menino.
Tantas outras perguntas foram feitas.
Algumas como flechas me atingiram.
Trazendo lembranças de perguntas que não me responderam.

Quem deu a nossos pais o castelo de madeira.
De onde vêm os anjos da perua dos caldeirões de sopa.
Porque não deixam as crianças do asfalto jogarem bola comigo.
Dar em mim um abraço e me chamar de amigo.
Por quê?

Marcio Gleide Nunes dos Santos

Campinas-SP 18/02/2017

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

PAI SEM FILHO



Joelhos ao chão na dor da perda.
A troca que faríamos se pudéssemos.
Lágrimas que escorrem pela face do vivo.
Amargas gotas cristalinas da nascente da dor.

Jaz a vida de quem amamos.
Desmaterializa-se o chão que pisamos.
Rasgado fica o coração que não sentimos.
Na alma se faz maior todo o sofrer do ser.
Se pudéssemos... Trocaríamos os lugares.
E a folha verde ficaria no lugar desta que esta amarela.

Marcio Gleide Nunes dos Santos

Curitiba-PR 31/01/2017

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

PEQUENAS MÃOS



Minhas mãos tentaram lhe segurar.
Pois pequeno imaginava que poderia.
Consegui colocar o sol atrás das nuvens.
Em um dia de muita quentura.

Minhas mãos construíram castelos.
Capturaram besouros rinocerontes.
Brincou com as borboletas com delicadeza.
Afagou o rosto e os cabelos de mainha.

Minhas mãos estão grandes e marcadas.
E ainda tento lhe segurar sabendo não poder.
Peguei com elas Beija-Flores e Libélulas.
Ferramentas, tijolos... Empurrei carros.

Mas nunca consegui lhe capturar.
Nem por um instante em toda minha vida.
Tempo danado e arteiro.
Sempre foi mais ligeiro...
Que minhas mãos.

Marcio Gleide Nunes dos Santos

Curitiba-PR 23/10/2016

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

PARA OS POETAS

Para os poetas desejo muita...
Loucura... Lucides.
Amores... Desamores.
Êxtase em gozo pleno e o sofrer de paixões.
Inspirações inacabáveis e chamas no coração.
Que quebre os cadeados das almas.
Que libertem-se de todas as amarras.
Que tenham asas fortes e saiam da terra.

Para os Poetas não desejo...
O descanso demasiado do sofá.
A covardia de prosseguir em lutar.
Que parem e fechem os olhos para a vida.
Como as águas que ao estagnar tornam-se podre.
Que desista do salto com o medo de cair.
Que olhem para o horizonte com receio de partir.

Para os poetas que cantam...
Para os poetas que enquadra e captura.
Para os poetas que escrevem e rabiscam.
Para os que fazem na tela rosas e a Rosa.
Aos que tiram uma dama belíssima de uma rocha.
Desejo a benção do Supremo.
Desejo Vida Longa.

Marcio Gleide Nunes dos Santos

Curitiba-PR 13/01/2016

domingo, 6 de dezembro de 2015

O ARCO

.. Homenagem ao Poeta Felipe Arco

Fugir...
Como fugir da luta guerreiro.
O verdadeiro não entende palavras inexistentes.
O verdadeiro avança...segue em frente sem fraquejar.
A revolução se faz com garra e amor.
Com as flexas disparadas pelo Arco.
Trazendo poderosas e agudas mensagens.
Que atingem direto no coração mas não mata.
Não esvai o sangue do atingido.
Mas faz jorrar alegria instantaneamente.
Transborda a alma do ser que se entristeceu.
Trasendo o sorriso que atormentado se jogou no abismo.
Fugir...
Desistir de uma missão?
O verdadeiro nunca entendera nem ira se esconder.
Da missão dada pelo supremo de guiar e levar o bem...
A pessoas de bem e aquelas que não estão bem.

Marcio Gleide Nunes dos Santos

Curitiba-PR 26/11/2015
"Quem tem amigos falsos.
Os tem por não saber.
Já os falsos amigos.
Mesmo entre uma tribo.
Sabem no intimo que amigos jamais irá ter".

Marcio Gleide Nunes dos Santos


Curitiba-PR 02/12/2015

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

KING OF ARMS



O maior produtor de armamentos do mundo.
Busca guerras como os abutres caçam os restos em putrefação.
Fazer das armas sua riqueza que patrocinam guerrilhas...
Que disparam e deflagram suas balas,seus morteiros.
Que explodem suas minas e seus foguetes...
Que promovem massacres e pilham vidas.

E vendem mais para repor a festa do Diabo.
Seus supersônicos ferozes que pulverizam cidades, aldeias e vilas.
Predadores Yankees bípedes que encantam o mundo Pateta com a Walt Disney.
Com Superman, com Spiderman, com Soldados que resgatam o Ryan.

O maior produtor de armamentos do mundo.
Busca guerras como os abutres caçam os restos em putrefação.
Como o cheiro dos gatos busca o faro do cão.
Como qualquer massa em queda livre busca o chão.

Marcio Gleide Nunes dos Santos

Curitiba-PR 06/10/2015