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quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Sobre a Roda de Dança Para Santo Antônio



Dias atrás comentei, na Internet, sobre a Roda de Dança para Santo Antônio e algumas pessoas me escreveram para que eu explicasse melhor sobre esta manifestação cultural do Brasil. Mas que, infelizmente, está sendo esquecida. As Rodas de Danças chegaram ao nosso país através dos imigrantes portugueses, no Brasil-Colônia.
Uma roda de dança milagrosa é um evento, com coreografias de balé, dedicadas a algum santo para pedir, ou, agradecer uma graça alcançada. Quem acompanhou a novela chamada Velho Chico, deste ano de 2016, deve lembrar que a personagem Leonor fez uma Roda de Dança Para São Gonçalo para agradecer um milagre alcançado. Este tipo de evento funciona do mesmo jeito que apareceu na novela.
Anos atrás, no mês de junho era comum, as moças fazerem as Rodas de Santo Antônio para alcançar um casamento. Este evento era organizado da seguinte forma: uma jovem donzela se vestia com roupas medievais como: saia rodada, anágua, espartilho e flores na cabeça. Então ela dançava no meio das mulheres que desejavam um matrimônio, jogando pétalas de rosa, fazendo o balé do anel e da bandeira de Santo Antônio. As jovens que pegavam as pétalas, conseguiam o anel e encostavam na bandeira conseguiam casar. Na verdade, este evento é uma adaptação de um ritual egípcio conhecido como: A Dança da Vestal para as Irmãs Conseguirem um Casamento, onde as virgens bailavam para que as outras jovens conseguissem casar. Porém, na Idade Média, este evento foi adaptado e virou a Dança da Roda Para Santo Antônio.
Agora, só falta vocês organizarem uma Roda de Dança nas cidades.


Luciana do Rocio Mallon


terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Rituais Poéticos de Natal e de Ano Novo



         
Fiz um secreto ritual
Na árvore de Natal!
Costurei bolas coloridas
Com fazendas atrevidas

Mas, em seus enchimentos
Coloquei com sentimentos
Meus desejos para o ano que vem
Assim, a estrela de Belém

Com certeza irá abençoar
Meus sonhos que bailam pelo ar!
No dia do Réveillon,
Sem sair do tom,

Encherei bexigas de festas flutuantes
Mas, dentro destas bolas elegantes
Estarão meus pedidos para o ano seguinte
Os anjos atenderão meus sonhos com requinte!

Mas, também escreverei num outro papel
Tudo o que me aconteceu de cruel,
De triste, de depressivo e de ruim
Neste ano que chega ao fim!

Depois queimarei este papel na fogueira
Para que os traumas saiam de forma verdadeira!

De Natal e de ano novo esta é a magia
Que traz esperança para um novo dia.


Luciana do Rocio Mallon


Black Fraude: Depois da Black Friday



        
Depois da Black Friday, veio a tristeza
Pois, o cliente descobriu a desonestidade
Que se despiu de meiguice e beleza
Na oferta que não era verdade!
                                              
Depois da Black Friday, veio a quarta-feira de cinzas
Onde os foliões viraram fregueses ranzinzas
Pois desmascararam as fraudes sem fim
Onde os preços usaram aromas de jasmim

E uma exagerada maquiagem
Na mais ilusória sacanagem
E, agora, consumista?
O que você tem a vista?

A Black Friday aconteceu
E você ficou no breu
Você usou Black Tie
Para ver o preço que não cai!

Hoje você tenta fazia magia
Com uma Black Hole nos braços
Seu cartão de crédito é a agonia
E dos presentes, só restou o laço!

E agora, consumista?
E agora?

Luciana do Rocio Mallon

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Lendas dos Mendigos Com Filhotes de Cachorros




Há quinze dias atrás chegou, nas minhas Rede Sociais, a seguinte mensagem:
" Denúncia: Mendiga Explora Filhotes de Cães Em Sinaleiro Próximo à Vila das Torres, em Curitiba

Uma pedinte está cometendo o seguinte delito:
Perto do farol da Favela das Torres, há uma moradora de rua idosa que explora filhotes há mais de um ano, ela age assim:
 Todo o mês ela consegue um cachorrinho e vai pedir esmolas no farol, com o objetivo de arrecadar mais doações do que o eventual. Pois, já foi comprovado que uma pessoa esfarrapada com um animalzinho, ou, bebês nos braços recebe o triplo de um pedinte comum.
O problema é que os bichinhos, em questão, têm sinais de maus tratos e doenças, sem falar que esta mulher aparenta possuir transtornos mentais sérios, sendo capaz de violência física contra os animais.
Por favor, denunciem!"
Ao ler esta mensagem, logo pensei:
- Isto deve ser mais uma Lenda Urbana de Curitiba.
Mas, há quinze dias atrás, peguei um táxi. Então, a motorista passou em frente a um semáforo da Vila das Torres. De repente, assustei-me com uma figura diferente que bateu no vidro do carro. Logo, notei que tratava-se de uma senhora, provavelmente, com problemas neurológicos, banguela, maltrapilha e com um filhote de cachorro nas mãos.
Naquele instante, a motorista comentou:
- Nossa, o filhote deve estar cheio de vermes!
- Não costumo dar moedas para os moradores de rua, porém para esta mulher farei uma doação por causa do bichinho que ela carrega nas mãos.
Deste jeito, me lembrei do recado que foi postado, por alguns amigos, em minhas redes sociais e refleti:
- O que vi não é Lenda Urbana!
Depois pesquisei mais sobre o assunto e descobri o caso de um outro morador de rua que resolveu usar filhotes de cachorros para obter mais esmolas. A história é esta:
José era um mendigo idoso e portador de necessidades especiais, pois só conseguia andar com uma muleta. Então, na rua em que morava, ele colocou o seguinte cartaz:
- Por favor, me ajudem!
- Pois, sou velho e deficiente.
Mesmo assim, o pedinte recebia poucas moedas.
Um certo dia, José ganhou um filhote de cachorro como doação. Assim, ele teve uma ideia e escreveu estas palavras, com uma flecha apontando para o animal:
- Preciso de esmolas, pois:
- Este filhote de cachorro está fome!
- Ele está com frio e pode ficar doente!
Deste jeito, o morador de rua notou que as doações triplicaram.
Coincidentemente, dez dias depois destas descobertas, passei a pé perto da Vila das Torres e encontrei aquela mesma mendiga com um outro cachorrinho nas mãos. Logo, perguntei:
- A senhora não acha difícil pedir doações com um filhote, nas mãos ?
- Se quiser, posso comprar o bichinho!
Desta maneira, a idosa respondeu:
- Só poderei vender este animal no dia que ele crescer e eu conseguir outro filhote.
- Afinal, depois que passei a pedir esmolas com o cachorrinho, as doações aumentaram. Inclusive, cheguei até a ganhar um cobertor novinho em folha.
Após esta confissão, fiquei assustada e não consegui dormir naquela noite.

Luciana do Rocio Mallon

Lendas do Poço do Cemitério de Santa Cândida




Reza a lenda que o Cemitério do Bairro Santa Cândida, em Curitiba, foi inaugurado em 1957 e que no século dezenove ele foi uma fazenda, onde existia um poço que as pessoas diziam ser mágico. Pois, havia a lenda de que uma menina milagreira gostava de brincar por aquelas bandas. Mas um certo dia , numa brincadeira, ela caiu naquele poço e por isto passou a ouvir os desejos das pessoas através deste túnel cheio de água.
Em meados dos anos cinquenta, quando aquele sítio virou campo-santo, o poço permaneceu no meio do cemitério e passou a ser usado para lavar os defuntos, antes de serem colocados no caixão.
Porém, interessantes mesmos, são os causos que surgiram sobre aquele túnel cheio de água. Leremos alguns abaixo:

O Poço do Cemitério:
Reza a lenda que quando existe um poço no meio de um campo-santo, algumas almas enterradas neste cemitério não vão para o além e, sim, permanecem dentro deste túnel cheio de água. Segundo o mito, com o poço do cemitério do bairro Santa Cândida não foi diferente.

O Espírito do Mendigo e a Alma do Supersticioso:
Em 1958, na cidade de Curitiba, existia um mendigo chamado Carlos que vivia dizendo:
- Morro por uma montanha de moedas!
Um certo dia ele bebeu demais e foi parar no Cemitério de Santa Cândida. Por causa da bebida, ele olhou para o poço e viu uma montanha de moedas. Assim, o maltrapilho se jogou para dentro dele e faleceu afogado.
Naquele mesma cidade havia um moço muito supersticioso chamado Alvaro, que sempre jogava moedas em tudo quanto era chafariz, fonte e poço que via.
Um certo dia, sua empresa foi à falência no mesmo dia em que sua avó faleceu. Então, o rapaz entrou em depressão, mas mesmo assim foi ao enterro da sua parenta querida que aconteceu no cemitério de Santa Cândida. Lá ele viu o poço, jogou uma moeda e exclamou:
- Quero ficar rico e ter minha firma de volta!
Na mesma noite, o rapaz sonhou com um espírito que falou:
- Sou a alma de Carlos, um mendigo louco por moedas.
- Como você jogou uma moedinha no poço do campo-santo, realizarei seu pedido.
No dia seguinte, Alvaro descobriu que ganhou na loteria. Assim, ele conseguiu a sua empresa de volta.

A Noiva do Cemitério:
Em 1958, havia uma moça chamada Marília que era fã da lenda da santinha do poço do cemitério do bairro Santa Cândida. Um dia,  a sua avó falou que a donzela do campo-santo gostava de pétalas de rosas. Ao saber disto, Marília comprou um buquê de flores e jogou para dentro daquele túnel com água.
O tempo passou e em 1960 Marília tornou-se uma noiva grávida. Porém, descobriu que foi abandonada pelo noivo no altar. Deste jeito, ela correu até o campo-santo de Santa Cândida e tentou se atirar para dentro do poço. Porém, naquele mesmo instante, a alma da santinha surgiu e devolveu o corpo da moça de volta à terra. Então, a pequena falou:
- Como você me deu pétalas de rosas há alguns anos atrás, lhe salvarei de cometer esta besteira.
Desta maneira, a santinha tirou uma corrente com um pingente de coração, do seu bolso e explicou-lhe:
- Coloque este amuleto no seu pescoço que você encontrará o seu verdadeiro amor.
- Pois, aquele noivo que abandonou você no altar, não lhe merecia.
Marília obedeceu à santa. Então, depois de um ano esta moça casou-se.

O Poço da Água Milagrosa:
Nos anos setenta, minha avó Mirtes tinha um amigo chamado Souza que sofria de problemas de estômago.
Um certo dia, ela e este colega foram a um enterro no cemitério de Santa Cândida. Lá, como estava calor, Souza sentiu sede e resolveu beber da água do poço do campo-santo. Após beber este líquido, ele nunca mais teve problemas de estômago.

Luciana do Rocio Mallon




quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Lenda do Ipê Amarelo




Era uma vez uma índia morena
Batizada com o nome de Tabebuia
Ela brincava tão doce e serena
Transformando o pião em cuia!

Esta menina admirava o Sol
Porque ele era o seu farol
Seu sonho era tocar neste astro
Para deixar no céu um dourado rastro

Um certo dia, esta jovem meiga e boa
Aproximou-se da beira de uma lagoa
Assim, ela viu o reflexo do astro rei
E ignorando qualquer tipo de lei

 Tabebuia repleta de ternura e candura
 Jogou-se nesta água cristalina e pura
Pensando que poderia abraçar o Sol amarelo
Porém, ela se afogou de uma forma dura
Seu corpo foi ao fundo, mas voltou mais belo

Boiando por esta mágica e misteriosa lagoa
Sua alma sentiu que sua morte não foi à toa
O Sol ficou com pena do seu corpo desitratado
Por isto fez um feitiço de um jeito apaixonado

O corpo da índia virou um galho com sementes
Flutuando por estas águas frementes e quentes
Até que o galho foi parar na beira de um rio
E de suas sementes, de repente, surgiu

Uma árvore com flores tão singelas
Todas suaves e muito amarelas
Como a cor do Sol da primavera
Que tem as luzes da nova era!

Esta árvore causou o maior fuzuê
Porque virou abrigo de um colibri
Deste jeito ela passou a ser chamada de ipê
Que significa galho que flutua em tupi-guarani !

Reza a lenda que cada flor desta planta
Tem a alma inocente de uma santa
Pois, estas flores amarelas
Tão leves, doce e singelas

São divinas lágrimas do astro rei
Que formam um tapete dourado
Na lembrança da moça que ignorou a própria lei
Por estar com o espírito primaveril apaixonado.


Luciana do Rocio Mallon

Funk da Lhama



Funk da lhama, funk da lhama
Você cospe até na cara de quem ama
Esta é uma dança nova que surgiu
Neste último mês de abril

Se você não sabe argumentar
Basta rebolar e cuspir no adversário
Dando um salto suave pelo ar
Em eventos e até em aniversário!

Com os meus inimigos, não gasto nem saliva pelo ar
Portanto, não vou gastar o meu cuspido
Porém, preciso logo confessar
Que tenho vontade de cuspir na cara do cupido!

Funk da Lhama, funk da lhama
Pois a boa educação já caiu na lama!
É como dizia o poeta com o coração em chama:
Escarra na boca da pessoa que você ama!

Funk da Lhama, funk da Lhama
Pois a boa educação já caiu na lama.
Luciana do Rocio Mallon


Lenda do Remédio Que Deixa Tudo Azul



                        
Lauro era um rapaz esforçado e tímido, morador de Curitiba, que sempre sofreu bullying no ambiente de trabalho. No seu primeiro dia de serviço, uns engraçadinhos deram chicletes que deixam a língua azul para o pobre.
Dois anos depois este rapaz arrumou, no próprio ambiente de trabalho, uma namorada chamada Rose, que vivia tendo problemas de saúde por causa do frio da capital do Paraná. Um destes problemas era cistite junto com friagem nas partes íntimas. Então para resolver isto, a moça usava um remédio chamado Cystex que deixava a urina e a parte exterior da vagina azul. Um certo dia, Lauro resolveu ter relações orais, com sua amada, no escuro, dentro do depósito da firma. Pois, o tempo estava curto. Mas dona Clara, a zeladora, percebeu tudo.
Após ter estas intimidades, o moço entrou na reunião da empresa e no momento em que foi dar a sua palestra, todos notaram que língua do homem estava azul. De repente, o chefe interrompeu:
- Quem foi que deu chicletes com anelina azul para este funcionário, de novo?
Assim, Clara comentou:
- A questão é que desta vez não foi chicletes, e, sim Cystex.

Luciana do Rocio Mallon





terça-feira, 3 de julho de 2018

A Neve de Curitiba de 2013




Neste ano, no dia 23 de julho
Surgiu um fenômeno da natureza,
Que encheu Curitiba de orgulho
Por causa de sua beleza!

Depois de longos 38 anos,
A neve voltou a cair,
Sem fazer muitos planos
Com segredos de um elixir!

Ela apareceu em 1975,
Com força, vontade e energia
Eu era bebê, não minto
Mas, em 2013 ela voltou com nostalgia

Ela retornou tímida, pois é curitibana
Por isto, ela não falou com desconhecidos
A neve cobriu casa, prédio e cabana
Mas, deixou agricultores enfurecidos

Pois, atrás da sua beleza
De princesa cheia de pureza
Veio a bruxa da geada escura
Tão má, dura e obscura

Pois nunca deixa ninguém feliz
Queimando a planta pela raiz!
Neste ano de 2013, teve neve
De um jeito acanhado e breve

Mas, que de alguma maneira
Trouxe a geada escura traiçoeira !
Desavisados dizem que esta neve foi uma ilusão de eterno inverno
Mas, a geada negra provou que isto foi real e nada terno.
Luciana do Rocio Mallon



Lenda do Bairro Barigüi



Há muitos anos atrás, quando Curitiba ainda se chamava Vila Nossa Senhora da Luz, existia um rio, onde hoje é a região do bairro Barigüi. Estas águas eram tão puras e cristalinas que as estrelas se espelhavam nelas nas noites de luar. Mas, neste rio, também moravam muitos animais, dentre eles havia um lindo jacaré. Assim uma das estrelas, do alto do firmamento, apaixonou-se por este animal e ele por esta mesma estrela. Nas noites de luar, um não parava de olhar para o outro. Então, uma vez, a estrela exclamou para o universo:
- Como eu gostaria de ser um mosquito-pólvora só para ficar ao lado do jacaré!
Deste jeito, Tupã, o deus dos índios, zangou-se e ralhou:
- Você é uma estrela ingrata, pois não valoriza a sua luz própria e nem a sua posição de destaque, que é o alto do céu !
- Mesmo assim, vou transforma-la num mosquito insignificante e mandá-la para a Terra só para que aprenda uma lição.
Desta maneira, a estrela virou um mosquito-pólvora e foi parar bem perto daquele rio. Deste jeito, ela disse ao jacaré:
- Meu amado, se lembra de mim ?
- Sou a estrela brilhante que era apaixonada por você!
O bicho brigou:
- Você não é estrela coisa nenhuma!
- Pois, não passa de um mosquito-pólvora, um ser insignificante!
Então, a ex-estrela explicou:
- Eu, realmente, era sua estrela amada. Porém, Tupã ouviu o meu pedido de morar aqui na Terra e transformou-me neste inseto.
O animal falou:
- A minha estrela era brilhante,cintilante e altiva, bem diferente de você que é um inseto insignificante.
- Por isto, sairei deste rio e só voltarei quando você puder provar que um dia foi uma estrela.
Assim, o bicho procurou outro rio e o mosquito-pólvora permaneceu no mesmo lugar atraindo outros insetos semelhantes para não se sentir sozinho. Por isto, com o passar dos anos, a região daquele rio ficou cheia daquele tipo de mosquito.
Então, os índios quando chegaram a este local, batizaram o lugar com o nome de Barigüi, que significa, em tupi, " mosquito-pólvora."
Anos se passaram e na região onde o jacaré se escondeu, ele viu duas índias contando lendas na floresta. Logo, uma delas falou sobre o causo de uma estrela que virou mosquito-pólvora, pois estava apaixonada por um jacaré. Ao ouvir esta história, o bicho resolveu voltar para a região do Barigui. Mas quando chegou ao local, descobriu que o mosquito-pólvora, que na realidade era sua amada estrela, tinha morrido.
Reza a lenda que ele é ancestral do famoso jacaré do Parque Barigüi.
Luciana do Rocio Mallon

sábado, 12 de agosto de 2017

Lenda da Casa dos 110 Caixões



Numa cidade do interior do Paraná, uma idosa resolveu alugar um depósito que ficava no terreno de sua residência. Então, ela colocou um anúncio no jornal. Logo, ela recebeu a visita de um representante de uma firma interessada. Este homem disse que usaria o depósito para guardar roupas chiques. Assim, ele assinou o contrato que garantia o uso do local por um ano e pagou só o primeiro mês de aluguel.

Vinte dias depois, a anciã teve uma surpresa: chegou um caminhão da firma com 150 caixões. Desta maneira, eles foram colocados no depósito.

Os vizinhos descobriram a estória e começaram a tratar a pobre da anciã com certo preconceito.
A empresa que contratou o galpão ficou, praticamente, um ano inadimplente, pois não pagou os outros onze meses do aluguel. Para compensar a dona do depósito, a empresa deu 110 caixões para ela. Assim família desta senhora tentou vender os caixões, mas ninguém quis comprar. Sem como manter estes objetos lá, a idosa transferiu os caixões para a casa da sua irmã. Porém, os vizinhos passaram a tratar esta outra mulher com preconceito por causa dos caixões, também. O problema é que uma vizinha inventou histórias fantasiosas sobre esta casa com 110 caixões. Uma vez, ela comentou ver vultos tentando entrar nos caixões de madrugada. Na outra vez, esta mulher confirmou que estava voltando de uma festa de noite, quando foi abordada por uma moça ensanguentada que disse:

- Sabe onde fica a casa dos 110 caixões?

- É que eu morri agora, fui jogada no mato, e queria ser enterrada num caixão bem bonito.
Segundo a mística e sensitiva Consuelo Hernandez é impossível um espírito que foi assassinado, ou, morreu num acidente procurar um caixão. Pois, conforme esta paranormal, as pessoas que falecem de um jeito brutal não tem a real consciência de que morreram de verdade. Portanto, a história de uma alma, que morreu brutalmente e procurou um caixão não tem fundamento dentro da corrente espiritualista.
Mesmo assim, vamos torcer para que a dona dos 110 caixões consiga vender estes objetos.

Luciana do Rocio Mallon


Pássaro Na Poça Da Água



Após a chuva de verão, veio o Sol...
Mais brilhante do que qualquer farol!
Ele ilumina a poça da água da praça...
Com a sua luz repleta de graça!

Um pássaro vê esta humilde poça...
E com o próprio bico se coça!
Assim ele entra dentro dela...
De uma forma doce e singela!

A poça, que antes da ave era barrenta,
Poluída, suja e muito nojenta...
Com a presença da ave se torna pura...
E toda a sua alma triste e escura...

Vira um espírito transparente...
Graças ao pássaro inocente,
Que lava suas penas com alegria...
Formando um arco-íris de harmonia.
Luciana do Rocio Mallon


Ferida No Peito



Deixei uma ferida no seu peito,
No meio do seu sagrado leito,
Eu acendi um cigarro...
E num simples esbarro...

As cinzas caíram na sua pele morena...
Bem no palpitar do seu gelado peito,
De uma forma cruel e, ao mesmo tempo, serena...
Mas, quando notei, o mal já não tinha jeito!

Deixei uma marca eterna,
No seu peito puro e inocente,
De uma cinza fraterna...
Que caiu em brasa quente!

Não foi marca de bala perdida,
Nem da faca mais prateada,
Foi a marca de uma triste ferida...
Que deixou cicatriz no meio do nada!

Deixei uma marca no seu peito...
Com sabor de aventura,
No meio do seu leito...
Nas cinzas da loucura.

Luciana do Rocio Mallon

domingo, 9 de julho de 2017

Lenda do Sobrado Misterioso das Mercês



Dizem que o bairro chamado Mercês, localizado na cidade de Curitiba,
abriga muitas Lendas Urbanas. A principal delas é que há um túnel
secreto no Bosque Gutierrez e que nesta mesma passagem subterrânea há
labirintos para os porões de casas antigas da região. Também há uma
lenda que diz que o Pirata Zulmiro, também conhecido como Summers,
escondeu seu tesouro num destes túneis.
No século dezenove havia uma funerária neste bairro, que tinha um
porão que ligava a este túnel. Muitos anos se passaram, a funerária
fechou e construíram um sobrado no lugar dela. Então, este
estabelecimento virou um bar. Porém, numa madrugada uma linda jovem de
vestido vermelho, que tinha problemas com alcoolismo, foi assassinada
neste estabelecimento pelo namorado ciumento. Mas, seu espírito
continuou no local. Algum tempo depois, o sobrado transformou-se numa
academia de luta. Neste centro esportivo causos estranhos começaram a
aparecer. Alguns esportistas diziam que uma mulher de vermelho,
aparentemente bêbada, aparecia e desaparecia dentro do banheiro. Um
certo dia, um lutador estava se olhando no espelho do toalete.Quando,
de repente, a imagem de uma dama de carmim apareceu e disse-lhe:
- Por favor, não treine hoje, pois seu coração está fraco e você pode
falecer.
Mesmo assim, o atleta exclamou:
- Vá embora, pois você é só fruto da minha imaginação!
Desta maneira o lutador treinou, mas desmaiou e faleceu no meio dos
exercícios. Logo depois, esta academia fechou e o sobrado foi colocado
para aluguel. Deste jeito, apareceram novos inquilinos: a parte de
baixo foi alugada por um restaurante e a parte de cima ficou com
Tiffany e sua mãe.
Tiffany era uma jovem sonhadora, muito bonita e sensitiva, que ao
chegar a nova residência sentiu uma sensação estranha. Naquela noite,
esta donzela teve um pesadelo com uma mulher de vermelho que disse-
lhe:
- Você é feia!
- Você é horrível!
- Comece a beber para se esquecer da sua vida.
A moça acordou no meio da madrugada, toda suada e no dia seguinte teve
uma depressão muito forte, como se toda a sua auto-estima tivesse ido
embora. A partir daquele instante ela passou a freqüentar bares, a
beber bastante e ter crises de tristeza muito fortes.
Tiffany, que era uma garota meiga, ficou pouco a pouco nervosa com o
passar dos dias. Assim, ela passou a reagir contra provocações dos
vizinhos e dos freqüentadores das casas noturnas, como se o espírito
de um lutador de artes marciais tomasse conta do seu corpo de repente.
Um certo dia, esta menina assistiu pela televisão uma matéria sobre a
lenda do Pirata Zulmiro e seu Tesouro encantado. Deste jeito, ela
sentiu uma misteriosa sensibilidade pelo causo do corsário, ajoelhou-
se e rezou:
- Pirata Zulmiro, eu quero tanto que você esteja no céu. Por favor, me
guie até onde está  seu tesouro, pois ele resolveria muitos dos meus
problemas.
Alguns dias depois, Tiffany estava voltando do trabalho e viu que os
donos do restaurante esqueceram de fechar as portas do estabelecimento
corretamente. Assim, ela entrou no local e notou que num corredor
escuro havia um alçapão. Naquele instante uma idosa apareceu e
exclamou:
- O que você está fazendo aqui?!
A donzela tentou explicar:
- Bem, a porta estava aberta...
Naquele segundo a velha interrompeu:
- Não entre mais neste corredor!
- Nunca ouse em descobrir os segredos deste bairro!
- Agora, vá embora!
Tiffany foi para sua morada e começou a ter crises de depressão. Por
isto, ela decidiu entrar na Internet e viu um convite numa rede social
para um baile à fantasia.
Assim, a moça foi para esta festa fantasiada de princesa. Nesta balada
ela avistou um homem vestido de pirata, que era muito bonito: pele
branca como a neve, cabelos pretos, olhos verdes, um corpo atlético,
uma barba sexy e rala. Os dois começaram a se encarar. Então, o moço
pediu para dançar com Tiffany. No meio da dança, ela perguntou:
- Qual é o seu nome?
O rapaz respondeu:
- Meu nome é Summers.
Tiffany fez outra pergunta:
- Onde você mora?
O corsário respondeu:
- Moro nos túneis das Mercês e tenho uma surpresa para você.
 A garota indagou:
- Que novidade é esta?
O moço respondeu:
- Entre no meu carro, que eu lhe darei o presente que mudará a sua
vida.
A jovem entrou no automóvel, mas o pirata parou o veículo bem na
frente da residência dela. Assim, Tiffany falou:
- Mas, eu moro neste sobrado...
- Como sabe o endereço da minha casa?
O pirata abriu a porta e mandou:
 - Venha comigo!
O homem abriu as portas do restaurante, foi até o corredor escuro e
abriu o alçapão. Assim, ele levou a moça até o porão. Desta maneira
Tiffany observou tudo ao redor e comentou:
- Mas, este é o famoso túnel das Mercês.
O pirata pegou na mão da donzela e falou:
- Agora, vou levá-la até meu tesouro.
Eles andaram por vários labirintos até chegar num local onde havia um
baú. O rapaz abriu a caixa de madeira e a dama ficou encantada com o
tesouro que estava ali dentro. Porém, o pirata explicou:
- Agora, estas jóias são todas suas. Porém, pegue este crucifixo de
diamantes e mais este livro antigo que ensina como fazer o Exorcismo
Romano. Siga as instruções desta oração para expulsar dois espíritos,
que estão na sua moradia, e que não deixam você ser feliz.
Tiffany afirmou:
- Sim, eu farei o que você pediu.
Os dois voltaram para o sobrado. Mas, o corsário sumiu quando a jovem
pisou em sua residência. No dia seguinte, ela fez o ritual que o
pirata mandou e sentiu-se aliviada. Naquele instante, após a oração,
ela escutou um barulho vindo da rua. Assim, a moça olhou pela janela e
percebeu que um homem tinha sido atropelado. Tiffany saiu correndo até
o local e ao ver o acidentado, percebeu que era o mesmo homem, que ela
tinha conhecido, no baile à fantasia. A garota chegou perto do rapaz e
gritou:
- Summers!
Um senhor colocou os dedos no pulso do acidentado e afirmou:
- Ele está morto.
Naquele momento, Tiffany beijou o rapaz nos lábios, que abriu os olhos
e sorriu.
Assim, ela indagou:
- Summers você está bem?
O homem, com cara de dor, explicou:
- Desculpe, mas meu nome é Samuel.
Tiffany disse:
- Você não se lembra de mim?
- Eu estive com você no baile à fantasia...
- Inclusive você estava vestido de pirata!
O moço explicou:
- Eu não estive em nenhum baile à fantasia.
Após falar estas palavras o rapaz beijou a donzela.
Depois de alguns dias, Samuel se recuperou e casou-se com Tiffany, que
se mudou para uma outra casa que comprou com a venda do tesouro do
baú.
Aquele sobrado continua intacto no bairro das Mercês guardando outros
segredos.

Luciana do Rocio Mallon

Piloto Automático da Alma



Quando estou com muitas tarefas...
E com angústia na pressa demais...
Nem as forças de mil profetas...
São capazes de trazer-me paz!

Coloco o meu corpo em movimento...
No controle do meu piloto automático...
Assim qualquer tipo de sentimento...
Torna-se rápido e lunático!

Desligo o fogão a gás...
Não sei se acendi a luz...
Perco o meu lenço lilás...
Esqueço-me da própria cruz!

Faço ações com espírito de rotina...
Não lembro-me se fechei a porta...
Não consigo sentir o cheiro da latrina...
Apenas sinto-me torta e morta!

Meu espírito baila no ar...
Sem minha mente perceber!
A rapidez é um grande mar,
Onde me afogo no amanhecer!

No piloto automático e mágico...
Minha alma é um avião veloz,
Que se move de um jeito fantástico...
Sem escutar a mais íntima voz...

Porque a correria do dia-a-dia...
Debocha da suave harmonia.

Luciana do Rocio Mallon

sábado, 22 de abril de 2017

Quando uma Amizade Colorida Vira um Casamento Branco



Uma linda amizade colorida...
Sempre chega de um jeito franco,
De maneira leve e atrevida...
Com um fogo nada brando!

Os dois passeiam de mãos dadas,
Pelos parques, praças e jardins!
Como dois anjos de asas aladas...
Sem compromissos fixos e ruins!

Eles se beijam sem saudade...
Eles se abraçam sem dor...
Pois tudo isto é uma amizade...
Sem a depressão do puro amor!

Ela é mais do que a menina do olhar...
Porque é a musa da mais doce íris...
Ela toma banho de cachoeira ao luar!
Porque seu amado é o real arco-íris!

Mas, quando isto acaba em casamento...
Tudo na alma do casal fica branco!
Pois a monotonia é o tormento...
Do arco-íris mais franco!

O branco é a mistura de todas as cores...
Do arco-íris nas amizades com amores!

Quando uma amizade colorida,
Alegre, maravilhosa e divertida...
Transforma-se num casamento branco...
Na praça passa a existir um vazio banco.

Luciana do Rocio Mallon

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Lua Azul de Agosto



Diz a lenda que o mês de agosto...
É o mês do terror e do desgosto!
Mas, neste agosto, apareceu a Lua Azul
Que iluminou o mundo de norte a sul!

Agosto teve dois períodos de Lua Cheia,
Que transformou lobisomens em reis...
Pois o amor é a chama que se incendeia,
Quando a paz faz parte de todas as leis!           

Esta Lua já beijou um vulcão enlouquecido...
Junto com suas chamas da brava cor carmim!
Então as cores azuis e verdes buscaram o cupido...
No espaço sideral que nunca terá fim!

Agosto teve duas luas cheias misteriosas,
Que transformaram bruxas perigosas...
Em fadas com sapatilhas de bailarinas...
Realizando desejos de pobres meninas!

A Lua Azul abriu um portal de harmonia,
Onde vários seres tocaram em sua luz,
Emanando pura poesia e doce alegria...
Curando toda ferida e qualquer pus!

A mágica Lua Azul de agosto...
Mostrou-me o céu com gosto...
Refletindo seu manto em meu rosto...
E livrando-me de qualquer encosto.
Luciana do Rocio Mallon


O Homem Nu Ganhou uma Bicicleta Gigante


É com orgulho que me lembro...
Do dia vinte e dois de setembro!
Quando em Curitiba teve a Marcha das Bicicletas...
Todas lindas e maravilhosas, sem pneus carecas!

Naquele ensolarado e belo dia...
Ocorreu algo com harmonia:
A estátua do Homem Nu da praça,
Sempre cheia de leveza e graça,

De uma maneira nobre e elegante,
Ganhou uma bicicleta gigante!
Mas, no começo, com tanta platéia...
O Homem Nu não entendeu a idéia...

E reclamou sem pudor...
Com uma cara de horror:
“- Não quero uma bicicleta,
Pois não tenho nem cueca!

O “Oil Man” é que deveria ganhar este presente...
Afinal, com estas festas eu nunca fico contente!
Mês passado me vestiram com uma roupa de cozinheiro...
E eu fiquei envergonhado, depressivo e nada faceiro!”

Mas, naquele evento, com o passar do tempo...
O Homem Nu viu ciclistas cheios de alegria...
Então desejou com sentimento...
Andar de bicicleta com harmonia!

Reza a lenda que nas noites de luar...
O Homem Nu sai do seu lugar...
Para com a sua bicicleta andar!

Ele voa com a sua bicicleta perto da Lua...
Como o E.T. daquele filme espacial...
Do céu, acena para a Mulher Nua,
Que é a sua paixão especial.
Luciana do Rocio Mallon


Lenda do Corsário Zulmiro e Cigana Hortênsia



Um das lendas urbanas mais famosas do Paraná é o causo do pirata Zulmiro e de seu tesouro que foi enterrado num dos túneis subterrâneos do bairro das Mercês, na cidade de Curitiba. Existem várias versões para este causo, a mais romântica é que Zulmiro, chamava-se na realidade Summers e era um corsário inglês, uma espécie de militar que era pago para abater os navios dos piratas maus. Reza a lenda que Summers e seus soldados invadiram um navio-pirata que estava carregado de tesouros roubados. Mas, Summers se apaixonou por uma cigana que estava dentro da embarcação, desembarcou no porto de Paranaguá, pegou um dos baús e fugiu com esta donzela para Curitiba, onde enterrou o tesouro. Vamos ler esta lenda abaixo:

Há muitos anos atrás, na Europa existia uma cigana chamada Naranda, que não conseguia engravidar. Um certo dia, a sua caravana parou em frente a um jardim de hortênsias.  Assim, Naranda aproveitou a tranqüilidade para orar e oferecer um lenço para a padroeira dos ciganos:
- Santa Sara Kali, ofereço-lhe este lenço abençoado...
- Por favor, faça com que eu engravide!
- Se eu ficar gestante de uma menina, ela se chamará Hortênsia como as lindas flores deste jardim.
Algum tempo depois Naranda engravidou e teve uma menina com lindos olhos azuis. Conforme a promessa ela batizou a garota com o nome de Hortênsia. A pequena cresceu em beleza e tornou-se uma linda mulher. Desde criança esta menina gostava de tudo que era relacionado ao mar: água, peixes, areia, navios e principalmente piratas. Hortência gostava de histórias sobre corsários e o seu sonho era se casar com um, apesar de saber que uma cigana só pode se casar com outro cigano.
Um certo dia, a caravana parou perto de um porto e os ciganos se apresentaram no local. As mulheres dançaram com lenços, leques e pandeiros para o público. Porém, no meio da platéia havia um conde mau que se apaixonou, a primeira vista por Hortênsia e mandou raptá-la. Assim, naquela noite homens encapuzados invadiram o acampamento e levaram Hortênsia, que foi colocada como prisioneira dentro do porão do castelo do conde. Porém, a cigana tinha uma lixa mágica escondida na saia e lixou as grades. Então, ela saiu correndo em direção ao acampamento, mas notou que não havia mais ninguém lá. Logo, esta moça percebeu que os guardas do conde estavam a perseguindo. Deste jeito, a jovem fugiu até o porto e se escondeu no porão de um navio sombrio que logo partiu. Naquele porão ela notou que existiam tesouros nos baús. Mas, de repente, esta moça escutou um barulho e se escondeu dentro de um baú vazio. Porém abriram o baú e Hortênsia viu uma mulher e um pirata com um papagaio no ombro. Desta maneira o homem perguntou:
- Quem é você?
- O que você está fazendo aqui?
- Pois, saiba que iremos jogá-la aos tubarões.
A donzela respondeu:
- Por favor, não me matem.
- Eu sou a cigana Hortênsia...
De repente a mulher interrompeu:
- Você é cigana?
A jovem respondeu:
- Sim!
Desta maneira, a mulher continuou:
- Eu sou Beth a esposa, do pirata Ricardo, chefe deste navio.
- Você sabe jogar tarô e ler o futuro nas mãos?
Hortênsia respondeu:
- Sim.
Beth indagou:
- Poderia fazer estas coisas para mim e para as esposas dos outros piratas?
A donzela respondeu:
- Claro.
A mulher explicou a Ricardo:
- Por favor, não jogue a cigana no mar, pois ela não é perigosa. Devemos ter medo apenas dos corsários ingleses que se dizem piratas, mas são pagos para abater os navios de nós, os piratas verdadeiros.
Então Hortênsia leu a sorte das pessoas do navio e ajudou nas tarefas domésticas.
Porém, de repente, todos ouviram tiros de um canhão. Logo um dos piratas gritou:
- São os corsários ingleses!
Desta maneira uma grande batalha começou até quando os corsários ingleses invadiram o navio dos piratas e tomaram o comando da situação. Assim, no meio daquela confusão, o corsário Summers olhou para Hortênsia e se apaixonou por ela. No desespero, a donzela disse:
- Por favor, não me mate, pois eu não faço parte do grupo de piratas. Sou apenas uma cigana...
O rapaz perguntou:
- Você aceita fugir comigo?
A jovem disse:
- O que?
Summers repetiu:
- Você aceita fugir comigo?
- O navio irá desembarcar daqui a pouco no porto de Paranaguá. Podemos pegar um baú de tesouros e irmos até a Vila Nossa Senhora da Luz...
A cigana exclamou:
- Sim, eu aceito!
- Vamos embora logo!
Então, o corsário pegou um dos baús e fugiu com Hortênsia para a Vila de Nossa Senhora da Luz, que hoje é Curitiba. Lá, Summers mudou seu nome para Zulmiro, já que estava sendo procurado pela justiça inglesa. Ele gastou uma parte do tesouro, porém a outra metade ele enterrou num dos túneis, que os jesuítas construíram no bairro das Mercês. Reza a lenda que este baú está emparedado nos subterrâneos, mas que um dia será achado e que os fantasmas de Zulmiro e Hortênsia passeiam no Bosque Gutierrez nas noites de Lua Cheia.
Luciana do Rocio Mallon


Lenda do Fantasma da Coxa Branca de Curitiba


A lenda abaixo foi contada pelo Nhô Naldo, um senhor de 97 anos, que é um torcedor do time de futebol chamado Coritiba e freqüentador antigo do terreiro místico mais famoso do bairro Juvevê em Curitiba. Este senhor autorizou-me a escrever este causo na Internet:
No começo do século vinte surgiu um time chamado “Coritiba Footbal Club”, que nos primeiros anos, era formado por jogadores descendentes de alemães com as seguintes características físicas: loiros, altos e muito brancos.
Reza a lenda que num jogo de 1939 um torcedor do time adversário começou a xingar um jogador do Coritiba em voz alta:
- Coxa Branca!
- Coxa Branca!
Então, os torcedores do time rival começaram a berrar juntos:
- Coxa Branca!
- Coxa Branca!
Então o apelido pegou.
Naquela mesma época existia Guilherme, um adolescente que sonhava em ser um jogador de futebol do Coritiba. Para isto, ele freqüentava uma escolinha de futebol. Um certo dia, este menino atravessou a rua distraído, foi atropelado por um carro, quebrou a perna direita e teve que amputá-la a partir da coxa. Este garoto ao saber da notícia ficou arrasado e pediu para que conservassem a perna no formol e colocassem, dentro de um vidro, em seu quarto. Os pais dele atenderam a este estranho pedido.
Guilherme, depois do acidente, passou a freqüentar lugares místicos e um deles era um terreiro famoso localizado no bairro Juvevê. Uma vez numa sessão, ele confessou à mãe-de-santo:
- Um dos meus sonhos é que o time do Coritiba seja para sempre um grande campeão e que a minha perna amputada jogue no estádio Couto Pereira.
Assim, a “curandeira” disse:
- Realizarei o seu pedido:
- Basta trazer a sua perna que está no formol. Deste jeito a enterrarei perto do estádio do “Coxa-Branca” e ela fará uma magia. Pois, sua perna criará vida e de uma forma invisível trará sorte ao time do Coritiba.
Desta maneira, Guilherme obedeceu à sensitiva.
Então, alguns dias depois, este garoto estava assistindo a um jogo na televisão e viu uma perna branca correndo só pelo estádio. Quando de repente, esta perna-fantasma entrou na perna de um jogador real e este rapaz fez o gol. Depois o garoto perguntou se os seus amigos tinham visto a mesma coisa e eles falaram que não.
Reza a lenda que muitas pessoas sensíveis já viram uma coxa branca fantasma perambular pelo Estádio Couto Pereira e algumas outras pessoas comentam que este causo traz sorte ao time do Coritiba até hoje.
Se o Recife tem o famoso causo da “Perna Cabeluda”, Curitiba tem a Lenda Urbana da Coxa Branca.
Luciana do Rocio Mallon