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terça-feira, 9 de abril de 2019

Bilhete para Serena




Não sei para onde foste
mas, decerto
não roubaste
a nossa poesia

Sabe, guria
a maldita rompe grilhões
também destrói corações
abre e fecha feridas
cicatrizes da vida

Já tentei ser normal
assumir meu lado bancário
mas me senti um otário
coisa e tal
pois tudo o que quero
é ser pai, esposo e poeta

Amanhã vou para a cirurgia
e nunca se sabe o outro dia
daí resolvi escrever esses versos
lembrando teus brilhos convexos
que te significam serena

E dizer que te penso amena
com o teu sorriso rasgado
na boca de versos brancos
entre dentes rimados

Saiba que tenho saudade
e quero te dar um abraço
que irrompa esse mundo virtual
pela força da sinceridade

pois, sabe, guria
se os versos se ajuntam
no nosso espaço
afastam os desígnios do mal.

Wasil Sacharuk


quarta-feira, 14 de novembro de 2018

TESTAMENTO DO POETA




Se a vida se complica
e eu não mais acordar
deixo minhas rimas ricas
ao poeta Decimar

E quanto às rimas pobres
eu já avisei a patroa
não valem nenhum cobre
nem rendem poesia boa

Tenho guardadas num cofre
mais de duas mil estrofes
para serem divididas
depois da minha partida

Deixo os versos insones
das noites de vinho e café
à poetisa Ordones
e à dupla de Andrés

E uns versos inacabados
a quem sabe e improvisa
uns motes bem inspirados
à poetisa Marisa

Que fiquem as outras crias
para a Ana e a Luciana
as prosas e as poesias
à comunidade nopeana

Se a coisa ficar preta
e eu for a bola sete
vou lá trocar uma letra
com a poetisa Janete.

Wasil Sacharuk

www.novaordemdapoesia.com