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sábado, 25 de maio de 2019

Cotidiano




Seria talvez a tarde morna
por sobre a pele quieta
ou simplesmente
uma suave vontade de carinho?
Seria essa distância indesejada
ou nada disso
– apenas a constância
a incessante, intensa
a persistente instância do desejo
que se disfarça oculta
fantasia
e todo dia
mutante
se anuncia
nessa lembrança viva de teu beijo?
Dade Amorim

domingo, 21 de abril de 2013

Rumo




As águas nos arrastam
a labirintos de anêmonas
desejos de navegar
e correntezas
impregnadas de histórias.

Na música da concha
a voz do mundo
o mar é um destino
e a ventania
o voo
rumo à festa nas ilhas.

Dade Amorin

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Rio acima





Temos os olhos cheios
das coisas que não vemos.

A guerra de outro hemisfério
o rio de água apagada
a morte em nossos barrancos
lavadeiras encurvadas
e a flor carnívora do desarrimo.

Temos ouvidos prontos a esquecer
no escuro
as baleias retalhadas
o barco vazio à espera
predadores de mesa farta e
rio acima
nas casas mornas da margem
as mães e suas crianças mal nascidas.

Dade Amorin

domingo, 21 de outubro de 2012

Hydros




O rio de minha cidade vem florido
dos flamboyants da praça
cresce de uma nascente inominada
segue entre as pedras
e aprende seus segredos
exposto às ruas mais cínicas do mundo
: o rio de minha cidade é sem-família
avulso e manso e sonso
como um menino de rua.
De repente
o curso o leva à praça
e se é verão
as árvores mais belas se olham nele
e o rio desabrocha
em pétalas que singram seu silêncio.


Dade amorin

sábado, 20 de outubro de 2012

Hydros



O rio de minha cidade vem florido
dos flamboyants da praça
cresce de uma nascente inominada
segue entre as pedras
e aprende seus segredos
exposto às ruas mais cínicas do mundo
: o rio de minha cidade é sem-família
avulso e manso e sonso
como um menino de rua.
De repente
o curso o leva à praça
e se é verão
as árvores mais belas se olham nele
e o rio desabrocha
em pétalas que singram seu silêncio.
 
Dade Amorin

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Em branco


Sete palmos de silêncio
nas planícies da memória
histórias agora são
nuvens ao vento.

Sem nome nem endereço
começos em andamento
perdidos num chão sem rastros
no mastro sem documentos
a palma da mão sem traços.

Uma canção que não canta
sem letra nem partitura
deixou em seu lugar
dores antigas.

 Dade Amorim